A Batalha dos Sexos está de volta. Há 52 anos, Billie Jean King e Bobby Riggs protagonizaram um dos jogos mais mediáticos da história do ténis, que contou com mais de 90 milhões de espectadores em todo o mundo e ficou conhecido, no seio do desporto, como um símbolo de luta contra o machismo. Meses antes, tenista de 55 anos derrotou Margaret Court por 6-2 e 6-1, num jogo de exibição que viria a ser conhecido como a primeira Batalha dos Sexos, e que tinha tido origem num comentário de Riggs, que dissera que o ténis feminino era inferior ao masculino. Perante o sucedido, Jean King, que tinha recusado o convite inicial e tinha acabado de ser mãe, decidiu desafiar o compatriota e, em Houston, levou a melhor por 3-0 (6-4, 6-3 e 6-3).

Desde então, realizaram-se cerca de dez partidas de exibição que opuseram tenista masculinos e femininos, com a primeira a datar de 1888, entre Ernest Renshaw e Lottie Dod (2-6, 7-5 e 7-5). No século XXI, o primeiro duelo aconteceu em 2003, com Yannick Noah, aos 43 anos, a superar Justine Henin, então com 21 anos (4-6, 6-4 e 7-6). Em 2013, a chinesa Li Na bateu o sérvio Novak Djokovic num mini set (3-2), ao passo que, em 2017, Johanna Konta venceu o reformado Pat Cash (6-3). Em 2021, Iga Swiatek ganhou a Hubert Hurkacz num tiebreak de exibição na Polónia (7-4) e, dois anos depois, Yanis Ghazouani Durand ganhou a Mirra Andreeva em França (7-5 e 6-2).

Agora em 2025, a Coca-Cola Arena, no Dubai, recebeu a nova Batalha dos Sexos, que integrou o evento “The Dubai Showdown”. De um lado esteve Aryna Sabalenka que, aos 27 anos, venceu quatro Grand Slams. Do outro Nick Kyrgios que, aos 30 anos e depois de atravessar uma série de lesões, ocupa o lugar 673 do ranking ATP e tem como melhor registo a final de Wimbledon de 2022. Este duelo de exibição nasceu durante o US Open, em setembro, com o australiano a dizer numa entrevista que não precisaria de estar a “100% para vencer” a bielorrussa, considerando que as mulheres não conseguem responder aos serviços dos homens. Sabalenka respondeu ao convite e, a partir daí, a agência de marketing que representa os dois jogadores — Evolve — tratou de organizar o evento deste domingo. Inicialmente, o jogo esteve marcado para Hong Kong, mas acabou por rumar aos Emirados Árabes Unidos. O duelo acabou por motivar críticas no seio do ténis, com Billie Jean King a afirmar que este se desviava do propósito original e podia deixar uma má imagem do ténis feminino e desporto feminino.

“Não estou a correr nenhum risco. Vamos para nos divertirmos e proporcionar um ténis de qualidade. Quem vencer, venceu. É evidente que, biologicamente, o homem é mais forte do que a mulher, mas não se trata disso. Este evento só vai contribuir para elevar ainda mais o ténis feminino. Não será um encontro fácil para o Nick. Vou estar lá para competir e mostrar que as mulheres são fortes, poderosas e proporcionam um grande espectáculo. Ele está numa situação em que só tem a perder. Eu, pelo contrário, só tenho a ganhar. Este evento é realmente imprevisível e não sei o que esperar. É precisamente isso que adoro, porque é esta sensação que procuramos quando praticamos desporto, estas situações imprevisíveis. Gosto de me desafiar. Para mim, é um enorme desafio, sobretudo por defrontar o Nick, um jogador imprevisível e irreverente”, antecipou Sabalenka.

“Há demasiada divisão, demasiada luta e falta o trabalho em equipa. Independentemente do resultado, obviamente quero vencer, mas o mais importante é mostrar que juntos conseguimos coisas incríveis no desporto. Acho que isto demonstra que podemos alcançar feitos verdadeiramente notáveis juntos no desporto. Estaria a mentir se dissesse que não estou um pouco nervoso. Já jogámos em grandes estádios do mundo. Ela é vencedora de Grand Slams. Eu já disputei partidas incríveis, mas sei que o mundo inteiro estará a assistir. Tudo começou com um ‘e se?’. Desde então, virou um dos eventos mais comentados do ano. Não me lembro de outro evento de ténis que tenha gerado tanto barulho e tanta atenção. Quero entrar em campo e mostrar ao mundo que vêm aí meses importantes para mim. É uma grande preparação, tanto para mim como para a Aryna”, partilhou Kyrgios.

A Batalha dos Sexos de 2025 contou com algumas mudanças na regras, com os jogadores a estarem limitados a apenas um serviço, ao invés dos dois. Para além disso, o lado do court de Aryna Sabalenka teve uma redução de 9% em relação ao campo de ténis normal, ao passo que a disputa aconteceu à melhor de três sets, com os dois primeiros a serem disputados como mandam as regras. Para o fim estava reservado um tiebreak que terminaria aos dez pontos. A entrada dos tenistas não ficou atrás do glamour de todo o evento, com Aryna Sabalenka e Nick Kyrgios a chegarem ao court através das bancadas.

Dentro de campo, com Peter Crouch, Ronaldo Nazário e Kaká a assistir, a bielorrussa até começou por colocar o primeiro jogo no seu serviço, mas o australiano respondeu com um jogo em branco e chegou ao break logo a seguir, aproveitando da melhor forma as dificuldades da adversária no serviço (1-2). O cenário inverteu-se e dois golpes de Kyrgios para a rede deram a Sabalenka dois pontos de break, com a número um a empatar com um amorti (2-2). No quinto jogo, Nick beneficiou de dois breaks, acabando por converter o segundo. Contudo, a servir, o australiano falhou os três primeiros serviços, respondeu com dois pontos, mas não evitou nova quebra (3-3). O tenista de 30 anos respondeu com novo break, depois de ter estado a perder 40-15, e ficou perto da vitória no primeiro set com um jogo de serviço em branco (3-5). No serviço de Aryna, Nick dispôs de dois set points, mas a rival acabou por evitar o primeiro com um winner que deixou o australiano de boca aberta. Ainda assim, no ponto seguinte, Nick Kyrgios fechou as contas ao cabo de 33 minutos (3-6).

No segundo parcial, os primeiros jogos foram dominados pelos serviços, antes de Aryna Sabalenka converter o seu primeiro de dois breaks (2-1). No quarto jogo, Nick Kyrgios teve dois pontos de break, mas a bielorrussa respondeu com três pontos e, nas vantagens, chegou o 3-1 depois de ter anulado mais um break. O australiano respondeu, voltou a empatar e voltou à dianteira no seu serviço (3-4). No serviço de Aryna, Nick teve dois breaks, a adversária empatou, mas acabou por chegar ao 3-5 nas vantagens. A servir para fechar o jogo, o tenista começou com um ás, acrescentou um amorti junto à rede, mas a rival respondeu. De seguida, Nick Kyrgios executou mais um ás, mas Sabalenka continuou a resistir e evitou os dois match points. Com mais um serviço forte, o australiano voltou à dianteira, a bielorrussa respondeu com um smash perto da rede, mas um erro não forçado voltou a colocar Kyrgios na frente, fechando o jogo logo a seguir (3-6 e 3-6).