Passaram 12 anos desde o dia em que as notícias não fizeram sentido e o protagonista era o mais inesperado de todos. Há 12 anos, a 29 de dezembro de 2013, Michael Schumacher sofreu um trágico acidente de esqui em Méribel, nos Alpes Franceses, e deixou o mundo em suspenso. Mais de uma década depois, o que se sabe continua a ser muito pouco ou praticamente nada.

Na verdade, as principais informações sobre o estado de saúde de Michael Schumacher surgiram logo nos dias seguintes ao acidente. O piloto de Fórmula 1 sofreu um traumatismo cranioencefálico, foi operado três dias depois em Grenoble e, a 2 de janeiro de 2014, o responsável pela comunicação da família explicou à porta do hospital que não voltaria a revelar informações. Em julho, a família limitou-se a revelar que o alemão já não estava em coma e tinha saído do hospital para regressar a casa, em Lausanne, ficando ao cuidado de uma autêntica unidade de saúde que entretanto tinha sido construída na propriedade junto ao lago Léman.

O filho chegou à F1, Hamilton igualou o recorde, só os amigos próximos voltaram a vê-lo: dez anos depois, o que se sabe sobre Schumacher?

Desde aí, praticamente sem notícias oficiais e apenas com as declarações mais curtas, mas sentimentais, da mulher Corinna e do filho Mick, sobram as pistas deixadas pelos poucos que estão autorizados a visitá-lo: Ross Brawn, que foi engenheiro de Michael Schumacher na Benneton e na Ferrari, Jean Todt, que foi seu team principal na Ferrari, Bernie Ecclestone e também Gerhard Berger. De todos, Todt tem sido o verdadeiro veículo de informação, garantindo há alguns anos que vê corridas de Fórmula 1 com o alemão e revelando até que este chora, por vezes.

“O Michael está cá, por isso não sinto a falta dele. Simplesmente já não é o Michael que costumava ser. É diferente e é guiado de forma maravilhosa pela mulher e pelos filhos, que o protegem. A vida agora é diferente e tenho o privilégio de partilhar momentos com ele. É tudo o que tenho a dizer. Infelizmente, o destino atingiu-o há 10 anos. Já não é o Michael que conhecíamos na Fórmula 1″, contou o antigo presidente da FIA numa entrevista recente ao jornal L’Équipe.

Do outro lado da barricada, na lista dos que não estão autorizados a visitar o antigo piloto, está Richard Hopkins, ex-diretor da McLaren que nunca coincidiu com Schumacher na mesma equipa mas que sempre manteve uma boa relação com o alemão. Numa entrevista à Sportbible há poucos dias, o britânico revelou que nem sequer tem tido notícias ultimamente e que todos os que podem visitar a mansão de Lausanne nada partilham.

“O Michael está cá. Simplesmente já não é o Michael que costumava ser.” Jean Todt volta a falar sobre Schumacher

“Acho que não voltaremos a ver o Michael. Sinto-me um pouco mal por falar da condição dele, devido a todo o secretismo que a família, pelas razões corretas, quer manter. Não posso dizer que seja o melhor amigo do Jean Todt, do Ross ou do Gerhard. E acho que mesmo se fosse e lhes perguntasse como é que ele está, mesmo se oferecesse um bom vinho tinto, nenhum iria abrir-se e partilhar alguma coisa. Acho que existe esse respeito. É isso que a família quer. Acho que é justo”, explicou.

Depois, numa espécie de zona cinzenta, existem os amigos que até estão autorizados a visitar Michael Schumacher, mas que preferem não o fazer. “Se fechar os olhos ainda o vejo a sorrir depois de uma vitória. Prefiro recordá-lo assim do que simplesmente deitado numa cama. No entanto, falo com a Corinna frequentemente”, contou Flavio Briatore, que recrutou o alemão para a Benetton, numa entrevista ao jornal Corriere della Sera já este ano.

Nos últimos anos, porém, têm surgido algumas certezas quanto ao estado de saúde de Michael Schumacher. Mesmo estando “estável”, palavra utilizada frequentemente pela família, o mais provável é que o alemão não consiga andar, falar ou movimentar-se, comunicando apenas através dos olhos. No ano passado, a filha Gina-Maria casou em Maiorca, na Villa Yasmin de 50 mil metros quadrados comprada a Florentino Pérez por cerca de 33 milhões de euros, e foram vários os especialistas a garantir que, ao contrário do que dizia a comunicação social alemã, era quase impossível que o piloto estivesse presente na cerimónia.

Pode Schumacher ter ido ao casamento da filha? Jornal garante que sim, neurocirurgião diz que é quase impossível

“Ele construiu um hospital em casa, com todos os cuidados médicos à sua volta, o que é sinal de que estará deitado na maior parte do tempo. Baseando-me na informação disponível, não creio que leve uma vida muito ativa, tudo aponta para que esteja mal. Como paciente na cama, a maioria das pessoas ficam frágeis e rígidas e depois não é possível tirá-las da cama tantos anos depois. Tudo sugere que provavelmente esteve na mesma condição na última década, duvido que algo tenha mudado nesta etapa. Há várias sequelas a nível de danos cerebrais. Por exemplo, a lesão pode fazer com que o paciente não consiga falar com mais ninguém a não ser a família próxima e que só a mesma consiga estimular que o faça”, indicou Jussi Posti, que lidera o Departamento de Neurocirurgia do Hospital Universitário de Turku, na Finlândia.

Certo é que, com 56 anos e 12 depois do acidente que lhe travou a vida para sempre, Michael Schumacher continua a ser uma figura presente na Fórmula 1. Para além de ainda ser o recordista de vitórias no Campeonato do Mundo, agora igualado com Lewis Hamilton com sete, as iniciais “MS” surgiram recentemente num capacete que Jackie Stewart leiloou no último Grande Prémio do Bahrain para angariar fundos para a investigação da demência. Na altura, o antigo piloto britânico revelou que Schumacher conseguiu assinar com a ajuda da mulher, Corinna.

“Rezo para que exista cura para a demência enquanto for vivo.” A corrida mais importante da vida de Jackie Stewart