Num tempo em que muitos pais procuram formas de ensinar aos filhos o valor do dinheiro e da responsabilidade, uma história vinda dos Estados Unidos está a chamar a atenção. Uma mãe decidiu dizer já não dava dinheiro ao filho de sete anos quando este pediu mais um brinquedo e desafiou-o a encontrar uma forma própria de ganhar dinheiro. A resposta do menino acabou por surpreender a família e toda a vizinhança.
A decisão partiu de Laura Palmer, mãe de um menino então com sete anos, depois de ouvir o filho insistir que precisava de ter o brinquedo mais recente que o fascinava. Perante o pedido, a resposta foi clara e direta, afastando a ideia de uma necessidade imediata.
Em entrevista ao portal Business Insider, a mãe recorda o momento em que explicou ao filho que aquilo soava mais a um desejo do que a uma necessidade e que poderia usar o próprio dinheiro para comprar o brinquedo. A reação não foi imediata, até porque o menino praticamente não tinha rendimentos.
A ideia de ganhar dinheiro por conta própria
Na altura, as únicas fontes de dinheiro do menino eram os presentes de aniversário, como a própria mãe admite. Na família, não existia o hábito de pagar tarefas domésticas, uma vez que todos consideram que colaborar em casa é uma responsabilidade comum.
As tarefas não são atribuídas a uma pessoa específica, sendo repartidas conforme necessário. Por isso, a hipótese de “ganhar dinheiro em casa” não fazia parte das regras familiares. Foi então que o pai interveio e lançou o desafio: pensar em formas reais de ganhar dinheiro. Depois de várias ideias, surgiu uma que rapidamente se destacou, refere a mesma fonte.
Um pequeno negócio na vizinhança
A proposta passou por ajudar os vizinhos a recolher e a colocar na rua os contentores do lixo e da reciclagem. A ideia encaixou perfeitamente, até porque o menino é um admirador assumido dos camiões do lixo, o que tornou o projeto ainda mais entusiasmante.
Os pais assumiram desde o início que estariam ali para apoiar, mas não para fazer o trabalho por ele. A própria mãe descreveu a experiência como um verdadeiro curso intensivo de negócios e de vida.
De acordo com a mesma fonte, antes de começar, foi necessário ganhar confiança. Prepararam juntos um pequeno folheto e uma apresentação simples, mas quando percebeu que teria de bater à porta de desconhecidos, o medo apareceu.
A mãe confessa que chegou a pensar que o filho iria desistir antes mesmo de começar. Esse receio deu origem a conversas importantes sobre como enfrentar o medo, aceitar rejeições e perceber que nem tudo depende da resposta dos outros.
Depois de treinar várias vezes, o menino avançou. Bateu a portas, ouviu alguns “não”, mas os primeiros vizinhos que aceitaram o serviço deram-lhe a confiança necessária para continuar. Atualmente, o pequeno empresário já tem nove clientes regulares. Mais do que o dinheiro, ganhou competências que muitos só desenvolvem anos mais tarde.
No início, cobrava 25 cêntimos por semana. Com o tempo e a experiência, aumentou o valor para 50 cêntimos. Todos os meses, o pai ajuda a preparar as faturas, que o menino depois entrega pessoalmente aos vizinhos.
Segundo aponta o Business Insider, num dos primeiros meses, um cliente mostrou-lhe a fatura da água, cheia de taxas adicionais, e decidiu pagar-lhe mais pelo bom serviço prestado. O valor passou de um dólar para cinco dólares, reforçando a noção de mérito.
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