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Vasa

A nau sueca Vasa é um dos, senão o maior fiasco da história naval. Afundou-se poucos minutos depois de iniciar a sua viagem inaugural, a 10 de agosto de 1628, em Estocolmo. Mas o que aconteceu?

Considerada uma das embarcações mais caras do seu tempo e pensada para ser o orgulho da frota sueca, a Vasa não chegou sequer a sair do porto: bastou uma rajada de vento para a fazer adornar e meter água.

A embarcação largou amarras ao fim da tarde, em condições aparentemente calmas. Quando passava pela zona de Tegelviken, uma súbita lufada encheu as velas e inclinou o navio, lembra o IFL Science.

A inclinação não teria sido, por si só, extraordinária, mas revelou-se fatal porque a água começou a entrar em grande quantidade pelos portalós de artilharia do convés inferior, que estavam abertos.

O comandante ordenou que fossem fechados, mas já era tarde: a Vasa perdia estabilidade rapidamente e afundou-se a menos de uma milha náutica do ponto de partida, ficando no fundo a cerca de 32 metros de profundidade.

Estima-se que estivessem a bordo cerca de 150 pessoas e que 30 tenham morrido, muitas delas presas no interior.

A pergunta é: por que razão afundou tão depressa?

A resposta está sobretudo na engenharia. No século XVII não existiam os métodos de cálculo hoje usados para prever a estabilidade de grandes navios.

A explicação mais consensual é a de um desequilíbrio estrutural: um casco relativamente pequeno abaixo da linha de água para suportar o peso do que estava acima, resultando num centro de gravidade demasiado elevado.

Isso tornava a Vasa rápida, mas vulnerável até a ventos leves. O risco foi agravado pelo facto de a embarcação ter iniciado a navegação com os portalós abertos.

A Vasa permaneceu submersa durante mais de três séculos. Foi redescoberta em 1956 pelo engenheiro naval Anders Franzén e, após uma operação complexa de salvamento, foi finalmente içada em 1961, 333 anos depois do naufrágio.

Houve espaço para ideias invulgares, como encher o casco com bolas de pingue-pongue mas a solução passou por jatos de água de alta pressão, cabos de aço e pontões, num processo que levou anos.

A água fria ajudou a preservar o navio de forma excecional. No interior foram encontrados restos humanos de pelo menos 17 pessoas e mais de 40 mil objetos, de canhões a moedas.

Hoje, a Vasa pode ser vista no Vasa Museum, em Estocolmo, um caso praticamente único de um navio de guerra do século XVII preservado.

Ainda assim, os conservadores alertam para desafios que ainda persistem: a madeira terá perdido grande parte da sua resistência desde a recuperação, mantendo-se uma corrida contra o tempo para garantir a sua sobrevivência.


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