Os robôs humanóides têm registado uma evolução notável nos últimos tempos e as expectativas para o próximo ano são elevadas no que toca a estas máquinas avançadas. No entanto, o processo de tornar estes equipamentos autónomos e ágeis envolve etapas de treino complexas que, como demonstra um caso recente, não estão isentas de riscos físicos para os humanos envolvidos no processo.
Para que um robô como o G1, desenvolvido pela empresa Unitree, aprenda a mover-se com naturalidade, recorre-se frequentemente a uma técnica designada por teleoperação. Neste método, um operador humano veste um fato de captura de movimentos ou utiliza controladores manuais para executar tarefas específicas. O robô, ligado ao sistema, espelha esses movimentos em tempo real. Esta “mímica” é fundamental, pois gera os dados necessários para alimentar os algoritmos de aprendizagem por imitação, conferindo à máquina novas capacidades autónomas. Posteriormente, aplica-se ainda uma camada de aprendizagem por reforço, uma técnica que permite afinar o modelo para que os gestos se tornem mais fluidos e eficazes.
Ainda assim, a proximidade física entre o criador e a criatura durante estas sessões pode resultar em acidentes imprevistos. Um vídeo, que se tornou viral recentemente, ilustra bem este perigo. Nas imagens, é possível ver uma sessão de treino com o modelo G1 da Unitree, onde o teleoperador decide executar uma série de movimentos de artes marciais num espaço confinado, partilhado com o humanóide.
“How was your 2025?”
“Me:…”
———
(Motion capture lag, Unitree G1 kicked the tester in the balls) pic.twitter.com/xoFRJdnwxy— CyberRobo (@CyberRobooo) December 29, 2025
O problema surgiu quando o operador, entusiasmado com a sequência de golpes, se esqueceu de manter a distância de segurança. Ao desferir um pontapé no ar, o sistema de teleoperação fez com que o robô copiasse fielmente a acção. O resultado foi imediato e infeliz: a perna metálica do G1 atingiu o instrutor numa zona particularmente sensível, interrompendo a sessão de forma abrupta e dolorosa.