No dia 12 de agosto, a Lua irá tapar completamente o Sol e, por breves momentos, o dia irá dar lugar à noite. Foto: Francesco via Adobe Stock
Katia Catulo 29/12/2025 15:57 7 min
O ano de 2026 nem começou e ainda falta muito para o verão. Mas vale a pena marcar já na agenda a data de 12 de agosto. Depois de mais de um século, Portugal vai voltar a assistir um eclipse solar total.
Um evento assim tão raro não ocorria desde 1912. Serão somente breves momentos de plena escuridão, embora se preveja que, em boa parte do país, o bloqueio da luz solar oscile entre os 98% e os 76%.
Um eclipse solar total, tal como nos ensinaram na escola, ocorre quando a Terra, a Lua e o Sol estão perfeitamente alinhados. Nesse exato instante, a Lua tapa completamente o disco solar por alguns momentos.
No dia 12 de agosto, ainda antes do entardecer, será apenas no nordeste transmontano que o dia dará lugar à noite, mas apenas por 26 segundos. O ciclo completo, no entanto, é muito mais longo. As fases parciais, que antecedem e sucedem o expoente máximo deste espetáculo celeste, podem em algumas circunstâncias, demorar mais de uma hora.
E o dia virou noite
Apesar de em boa parte do país o eclipse não ser totalmente visível, a percentagem de cobertura é tão significativa que, segundo os astrónomos, vai ser possível sentir a temperatura a baixar.
Como o eclipse irá ocorrer ao entardecer do lado poente, as praias são os melhores locais para assistir ao fenómeno. Foto: Imagem gerada por IA: Thares2020 via Adobe Stock
Quem estiver a observar o fenómeno no meio da natureza, poderá ainda se aperceber que os animais à volta irão pensar que a noite chegou, recolhendo-se nos seus abrigos para pernoitar.
Na praia de olhos postos no horizonte
Outra feliz coincidência é o facto deste eclipse ocorrer do lado poente, quando o Sol estiver próximo do horizonte. Se o céu estiver limpo, o espetáculo poderá ser apreciado em qualquer praia da costa atlântica.
O eclipse vai ser visível numa estreita faixa que atravessa o Ártico, Gronelândia, Islândia e ainda em Espanha, onde a escuridão irá ser visível numa extensão bastante maior do que em Portugal.
Segundo os cálculos do astrónomo Rui Jorge Agostinho, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, citado pela agência Lusa, a obscuridade será de 98,2%, no Porto, de 94,5%, em Lisboa, de 92,2%, em Faro, ficando abaixo dos 80% no Funchal (77,5%) e em Ponta Delgada (76,9%).
Não olhe para o Sol sem proteção
Será uma oportunidade única para captar imagens extraordinárias do fenómeno e das sombras que irá projetar no solo. Deverá por isso escolher o equipamento certo, planear os locais onde vai querer tirar fotografias e tomar também as devidas precauções para assistir todas as fases do eclipse com total segurança.
Já sabemos que não é prudente olhar diretamente para o Sol. Serão precisos, portanto, óculos de observação solar, que são milhares de vezes mais escuros do que os normais.
Grande angular ou teleobjetiva?
Não é também recomendável tirar fotografias sem a devida proteção. Babak Tatreshi, explorador da National Geographic, aconselha usar uma grande angular ou uma teleobjetiva e ainda filtros solares para câmaras fotográficas, binóculos ou telescópios. Os raios solares são suficientemente fortes para trespassar os filtros normais e lesionar a vista.
Os filtros, aliás, são necessários até ao momento em que a Lua cobre o disco solar. A partir daí, haverá uns breves segundos para removê-los e tirar fotografias. Mas não deve olhar para o visor ótico até o Sol estar totalmente obscurecido.
Assim que surgir o primeiro brilho após a escuridão volte imediatamente a colocar os filtros solares na sua objetiva, adverte Babak Tatreshi, num artigo da National Geographic, publicado em 2024.
Proteja os olhos com óculos de observação solar, que filtram 100% dos raios infravermelhos e reduzem a intensidade do sol para 99,99%. Foto: Foto: Marco Iacobucci via Adobe Stock
A grande angular é o indicado para captar também a paisagem envolvente. Mas, se o intuito é focar-se unicamente no eclipse e no “anel de diamante”, a melhor opção é uma teleobjetiva. Deverá posicionar-se junto à linha central, onde terá mais tempo para observar alguns detalhes da corona, proeminências ou erupções solares.
O melhor local do país
O melhor local em Portugal onde se pode ver o eclipse em todo o seu esplendor é na Estrada Nacional 308 que liga as aldeias de Rio de Onor e Guadramil, no distrito de Bragança.
E é precisamente aqui que o Centro de Ciência Viva irá promover uma sessão de observação no dia 12 de agosto entre as 11 da manhã e as 21 horas. Veja a programação no primeiro link das referências deste artigo.
Distrito de Bragança é onde a obscuridade do eclipse será total. Foto: Google Maps/Canva
E, já sabe, há tempo suficiente para planear tudo com a devida antecedência. É que vale mesmo a pena estarmos preparados para este grande acontecimento. O próximo eclipse solar total só volta a acontecer em 2144.
Referências da notícia
T-1 ano para o eclipse de 2026 – Centro Ciência Viva
Babak Tafresh. Como fotografar um eclipse total. National Geographic
