Resultados contrastam com a confirmação do problema nos Estados Unidos, onde Donald Trump já pediu que se acelerasse a produção

Assim que estalou a guerra na Ucrânia, na Europa avisou-se: é preciso investir em Defesa, é preciso acelerar a produção. Uns mais a favor, outros mais a contragosto, os governos do Velho Continente ouviram o chamamento, acabando depois duplamente forçados a gastar dinheiro pelas ameaças vindas do outro lado do Atlântico assim que Donald Trump tomou posse como presidente dos Estados Unidos.

E se as ações das maiores empresas de Defesa da Europa já mostravam uma tendência – a Rheinmetall, por exemplo, subiu mais de 1.600% o seu valor desde 2022 -, os resultados esperados para este ano confirmam-na.

É que as maiores empresas do setor devem devolver aos seus acionistas cerca de 4,2 mil milhões de euros em 2025, confirmando que o investimento está a valer a pena.

De acordo com a análise realizada pela Vertical Research Partners para o Financial Times, as oito maiores empresas de Defesa da Europa devem ter o melhor ano no espaço de uma década.

A análise deixa de fora a Airbus, mas inclui empresas como a alemã Rheinmetall ou a italiana Leonardo, duas das maiores na Europa e duas das que mais aumentaram as suas operações comerciais, ajudando em muito os resultados do setor.

Curiosamente, e por contraste, nos Estados Unidos não se vive exatamente o mesmo momento. De acordo com a mesma análise, empresas como a Lockheed Martin estão em queda, isto depois do pico atingido em 2023.

Talvez isso confirme a urgência de Donald Trump em pedir investimento em Defesa. Um pedido que começou por fazer à Europa, mas que agora também já exige para dentro, anunciando grandes projetos como a mais recente renovação na Marinha.

De resto, o sentimento de que a indústria norte-americana está atrás do esperado já tinha ficado claro em outubro, quando o secretário do Tesouro, Scott Bessent, criticou o setor por estar “horrivelmente atrás em termos de entregas”.