Cecilia Giménez, a paroquiana que ficou mundialmente famosa pelo polémico “restauro” da pintura Ecce Homo no santuário de Borja, morreu nesta segunda-feira aos 94 anos. Segundo o El País, a idosa morreu no lar onde vivia com o seu filho, que tinha deficiências intelectuais, na mesma localidade onde a pintura ganhou notoriedade.

Cecilia era uma pintora amadora espanhola, cuja história correu o mundo depois de uma tentativa de restaurar uma pintura danificada do século XIX numa igreja local, na região de Saragoça. A obra, que representava Jesus Cristo, pertencia a Elías García Martínez, que a doou ao santuário no início do século XX. O restauro, que na altura a autora justificou ter sido feito “com boa intenção” e de forma “espontânea”, resultou numa representação caricata de Jesus, que os responsáveis pelo património da região classificaram como “muito difícil” de recuperar.

O resultado acabou por atrair milhares de visitantes e tornou-se viral na internet. O fenómeno angariou, na altura, cerca de 50 mil euros para a fundação proprietária da igreja e para a própria Cecilia. Contudo, Giménez atravessou um período depressivo devido à reacção esmagadora e à fama repentina que alcançou no mundo. A imagem foi apelidada de várias formas, incluindo “a pior restauração da História”, “Jesus besta” e “um desenho a lápis de cera de um macaco muito peludo numa túnica mal ajustada”.

A obra acabou por inspirar documentários e até uma ópera em Nova Iorque, originando debates críticos sobre a sua natureza artística e sociológica. Em 2012, várias versões retrabalhadas do “novo” Jesus foram expostas no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona, numa iniciativa organizada pela Wallpeople, um projecto internacional de arte colaborativa. Chegou mesmo a falar-se da obra de Cecilia Giménez como “um ícone da cultura pop”.