Um dia depois de o Benim ter averbado a primeira vitória de sempre na Taça das Nações Africanas (CAN), Moçambique não quis ficar atrás e seguiu-lhe as pisadas. Decalcando o que sucedera com os beninenses, foi também aos 16.º jogo na competição que os moçambicanos saborearam o sabor da vitória. E fizeram-no com o contributo decisivo de Geny Catamo e Diogo Calila (3-2).
Na 2.ª jornada do Grupo F, Moçambique tentava capitalizar as boas impressões que tinha deixado no jogo inaugural, em que, apesar de uma boa exibição, não evitou uma derrota diante da Costa do Marfim (1-0). O adversário, desta vez, era o Gabão (78.º do ranking da FIFA), que tinha perdido com Camarões pela mesma margem, e o objectivo era entrar na luta pela qualificação directa para a próxima fase.
Em Agadir, Marrocos, os moçambicanos tiraram melhor partido do que conseguiram criar. Remataram menos que o Gabão (11 remates contra 16), tiveram menos posse (43% contra 57%), mas souberam colocar-se em vantagem aos 37′, com um cabeceamento do avançado Faisal Bangal, que joga na quarta divisão italiana, com a camisola do Mestre.
Watch history unfold as Mozambique score three #TotalEnergiesAFCON goals for the first time ever. ????#TotalEnergiesAFCON2025 pic.twitter.com/F8CaOLNLuO
— TotalEnergies AFCON 2025 (@CAF_Online) December 28, 2025
A assistência foi do extremo do Sporting Geny Catamo, que viria a ser protagonista novamente cinco minutos mais tarde. Aos 42′, aproveitou uma grande penalidade para ampliar a vantagem de Moçambique e ganhar mais uns pontos para vir a ser considerado o melhor em campo no final do encontro.
A selecção moçambicana, orientada por Chiquinho Conde (com um longo passado em Portugal enquanto jogador), ainda sofreu um sobressalto antes do intervalo, porém, quando a estrela maior do Gabão, o avançado Pierre-Emerick Aubameyang, reduziu a diferença aos 45+5′.
Era um final de primeira parte frenético, que teve seguimento no arranque da segunda, quando, aos 52′, Diogo Calila desviou de cabeça, para a baliza, uma bola cruzada por Witi, autor de uma arrancada imparável pelo corredor esquerdo. Foi um passe do extremo do Nacional para a finalização do lateral do Santa Clara. Um golo construído nos arquipélagos portugueses.
O Gabão, que tinha feito três substituições ao intervalo, ainda conseguiu voltar a reduzir aos 76′, através de Moucketou-Moussounda, na sequência de um canto, mas sem ser capaz de evitar a derrota, que o deixa no último lugar do grupo, sem qualquer ponto.
“Esta primeira vitória de sempre de Moçambique é fruto de trabalho, sacrifício, disciplina e, acima de tudo, de uma crença inabalável no nosso potencial”, exultou o presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Ismael Sidat. “Esta vitória pertence a todo o povo moçambicano, que nunca deixou de acreditar e de apoiar”.
O primeiro triunfo de Moçambique chegou à sexta participação na CAN. A primeira aconteceu em 1986, com três derrotas em três jogos, na segunda, seguiu-se um ponto em 1996, novamente nenhum em 1998, um novo empate em 2010, até somar dois empates e um desaire em 2023. Um percurso crescente, que agora culmina com três pontos que alimentam a esperança de chegar à fase a eliminar, seja pela via do apuramento directo (dois primeiros lugares), seja na pele de um dos melhores terceiros.
O próximo adversário será um dos crónicos candidatos ao título, a selecção de Camarões, que já marcou presença em sete finais e conquistou o troféu em cinco ocasiões – melhor, só o Egipto, com 10 finais e sete títulos. Mas Moçambique entrará em campo, novamente em Agadir, na próxima quarta-feira, com o moral e com Geny Catamo em alta.