Vários republicanos, aliás, já incentivaram o Presidente norte-americano a avançar com essa decisão. Em agosto de 2025, o senador Ted Cruz enviou uma carta a Donald Trump para o aconselhar a reconhecer a Somalilândia. “É um aliado confiável dos Estados Unidos, está a integrar-se com os nossos aliados globalmente e está comprometido a ajudar-nos a conter os esforços da China de minar a segurança e prosperidade dos norte-americanos”, defendeu o político do Partido Republicano.

Ainda assim, Donald Trump garantiu esta sexta-feira que não seguirá Israel no reconhecimento da Somalilândia. O Departamento de Estado assegurou, na mesma linha, que vai continuar a respeitar a integridade territorial da Somália, que “inclui o território da Somalilândia”. Os Estados Unidos mantêm relações amigáveis com o governo somali e tem-no apoiado na luta contra o grupo Al‑Shabaab — e dificilmente vão quebrar a relação com este aliado no Corno de África, num contexto de crescente competição com a China e a Rússia na região.

Final do século XIX. Numa altura em que as potências europeias dividiram territórios africanos, ficou decidido que o Reino Unido controlaria o Protetorado da Somalilândia, ao passo que Itália geriria o que corresponde hoje em dia à Somália. Este foi mais ou menos o status quo até ao início da Segunda Guerra Mundial, quando, em 1941, Londres ocupou os territórios anteriormente controlados por Roma no Corno de África. Após o conflito, os italianos, juntamente com as Nações Unidas, criaram um estatuto especial com gestão italiana que prepararia a Somália para a independência.