Um avião convertido em bar junto à Segunda Circular de Lisboa tornou-se durante anos um ponto de curiosidade, combinando nostalgia aeronáutica com vida nocturna urbana. O Convair 880, jato comercial produzido entre os finais da década de 1950 e início da de 1960, passou de pista de voo a espaço de convívio de forma inesperada.
De acordo com o Diário de Notícias, o aparelho foi transportado para um terreno privado na zona da Portela, onde ganhou uma nova função longe das aeronaves comerciais.
Da pista de voo ao leilão
Segundo a mesma fonte, o avião tinha sido inicialmente utilizado em voos regulares antes de ser abandonado no aeroporto da Portela. Mais tarde, foi comprado em leilão por um empresário ligado à vida nocturna que decidiu transformar o jato num bar.
O transporte da aeronave até ao local definitivo junto à Segunda Circular implicou um planeamento logístico complexo, incluindo o encerramento temporário de uma faixa da estrada para permitir o seu deslocamento em segurança.
O Avião como espaço de convívio
O espaço, conhecido como O Avião, funcionou como bar e clube nocturno, distinguindo-se pelo seu carácter invulgar.
As estruturas interiores do Convair 880 foram adaptadas para acolher clientes, criando um ambiente diferente do habitual nas zonas de lazer da cidade.
Segundo a mesma fonte, a originalidade do conceito fez com que o local se tornasse rapidamente num ponto de referência para quem procurava experiências fora do comum.
Fim de uma era
A popularidade do bar manteve-se até 2007, quando o proprietário, José Gonçalves, morreu num atentado à bomba ocorrido fora do estabelecimento.
Após o incidente, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu intervir. Em 2008, a aeronave foi desmantelada e reciclada, encerrando o capítulo mais invulgar da vida nocturna junto à Segunda Circular.
O Convair 880, modelo raro de jato comercial, deixou uma marca singular na cidade. De acordo com o Diário de Notícias, a utilização do avião como bar representou uma das histórias mais peculiares da noite lisboeta, permanecendo na memória de quem passava diariamente junto à estrada e se deparava com o invulgar contraste entre a máquina voadora e a rotina urbana.
Mesmo desmontado, o episódio continua a suscitar curiosidade entre os lisboetas e turistas que se lembram da presença inusitada do aparelho na cidade.