Chegou, viu e (ainda) não venceu. Numa altura em que se atinge a primeira metade de temporada de Viktor Gyökeres no Arsenal, o avançado sueco continua a dividir opiniões e está longe de ser uma aposta unânime de Mikel Arteta que, ainda assim, concedeu a titularidade ao ex-Sporting em 17 dos 27 jogos dos gunners até ao momento. Nessas quase duas dezenas de partidas, o camisola 9 apontou sete golos, precisando de cerca de 201 minutos – mais de três horas, o que corresponde a pouco mais de dois jogos – para ser eficaz. Pelo meio, Gyökeres sofreu uma (invulgar) lesão muscular no jogo frente ao Brighton (fora, 2-0), no início de novembro, e só voltou às opções do espanhol no final do mês, tendo falhado quatro jogos.
O regresso após o problema físico está longe de ser produtivo para Gyökeres que, nos sete jogos do Arsenal durante o mês de dezembro, foi titular em quatro, suplente utilizado em dois desafios e não saiu do banco frente ao Crystal Palace, nos quartos de final da Taça da Liga (casa, 1-1, 8-7 g.p.). No total, não completou os 90 minutos em nenhum dos jogos e apontou apenas um golo, ainda que tenha sido decisivo. Para encontrarmos esse golo precisamos de recuar até ao passado dia 20 e à deslocação dos londrinos a casa do Everton (1-0). Como habitual nas visitas à cidade de Liverpool, o Arsenal sentiu dificuldades, mas acabou por vencer pela margem mínima, com o golo do sueco, de grande penalidade, a revelar-se decisivo. Essa vitória assegurou à equipa de Mikel Arteta o primeiro lugar no Natal, que entretanto continua sem sofrer alterações.
Apesar desse golo, os números e os sinais estão longe de ser positivos, já que o futebolista de 27 anos não marca um golo de bola corrida há sete jogos, cenário que prolongou na recente vitória frente ao Brighton, agora no Emirates (2-1). Apesar de se mostrar preocupado com esse fator, Arteta continua a manter a confiança em Gyökeres, como tem revelado ao longo das conferências de imprensa na presente temporada. “Se estou preocupado? Sim, porque queremos que ele marque. Obviamente, ele teve algumas oportunidades [contra o Brighton], apareceu algumas vezes em excelente posição, mas a bola não lhe chegou… Tem de continuar a insistir. É a única maneira”, explicou o treinador depois do jogo de sábado.
Por outro lado, Gary Lineker, antigo avançado que se notabilizou nas passagens por Leicester, Barcelona e Tottenham, considera que o sueco “é como a maioria dos avançados”. “Tenho observado o Gyökeres nas últimas semanas e parece-me que é como a maioria dos avançados: espera para ver para onde vai a bola, espera pelos cruzamentos, e só depois ataca. Isso também é aquilo que os defesas fazem. Como avançado, tens de arriscar o sítio para onde pensas que a bola poderá ir e, assim que o cruzamento está a sair, vais para lá. Ficas um passo à frente do defesa. Claro que, muitas vezes, a bola não vai para lá, mas não o vejo a fazer isso com muita frequência. Dominic Calvert Lewin deu um exemplo perfeito disso no golo do Leeds contra o Sunderland. Jogadores como Haaland, Kane ou Lewandowski – os grandes goleadores – fazem isso, movimentam-se para o espaço. Se é algo que ele pode aprender? Sempre achei que sim, porque na verdade é senso comum. É a lei da probabilidade quando se pensa nisso”, explicou o ex-internacional inglês no podcast The Rest Is Football.
Viktor Gyökeres terá a derradeira oportunidade de fechar o ano de 2025 da melhor forma esta terça-feira, quando o Arsenal receber o Aston Villa no jogo grande da 19.ª jornada da Premier League, que pode ser importante nas contas do títulos. O sueco deverá ser novamente titular e poderá ajudar a sua equipa a consolidar o primeiro lugar, deixando um adversário direto mais longe. De lembrar que, ao serviço do Sporting, clube que deixou no verão, Gyökeres marcou 97 golos e 27 assistências em 102 jogos, tendo ajudado os leões a chegar ao bicampeonato e à dobradinha no final da época passada.