George Clooney e a família são oficialmente cidadãos franceses. O actor e a mulher, Amal Clooney, juntamente com os dois filhos, receberam a cidadania francesa, de acordo com decreto oficial publicado no Journal officiel de la République (o equivalente ao português Diário da República), citado pela Agence France-Presse. “Adoro a cultura francesa, a vossa língua, mesmo que ainda seja péssimo nela depois de 400 dias de aulas”, declarou recentemente Clooney à RTL.

O anúncio oficial confirma a pretensão que Clooney vinha a expressar há algum tempo, motivada sobretudo pelo ambiente familiar que França permite ter. “Aqui, não tiram fotos das crianças. Não há paparazzi escondidos nos portões da escola. Isso é o mais importante para nós”, defendeu o actor na mesma entrevista, onde desabafava que não tinha vontade de criar os gémeos de 8 anos no ambiente tóxico de Hollywood.

Desde 2021, Clooney e a mulher, Amal, vivem numa quinta no sul de França, onde sente que os meninos podem ter “a oportunidade justa na vida” que não teriam em Los Angeles. E insistiu: “Não estão sempre nos seus iPads. Jantam com adultos e têm de limpar os seus pratos. Têm uma vida muito melhor.”

Em Brignoles, na região da Provença, a quinta de George e Amal Clooney tem mais de 170 hectares, que incluem jardins, um lago, um olival e uma vinha, aos quais se junta piscina e campo de ténis. No meio da paisagem bucólica, está a mansão do século XVIII, que se chamava originalmente Domaine de Canadel, onde são “mais felizes” do que em qualquer lado, apesar de viajarem frequentemente.

Cada vez mais europeu

O pedido de cidadania francesa de Clooney não é de surpreender, uma vez que, há mais de duas décadas, que o actor se divide entre a Europa e Hollywood. Desde 2002 que tem uma mansão na região do Lago de Como, no Norte de Itália. Quando se casou com Amal Clooney, em 2014, ambos adquiriram também uma casa senhorial em Inglaterra, enumera o The Guardian.

Mais: o casal já terá vendido a casa de Los Angeles e a casa do México na última década, mantendo apenas o apartamento de Nova Iorque e uma propriedade no Kentucky. “Gostaria de um lugar que me permitisse fugir dos Estados Unidos”, reforçou Clooney na mesma entrevista.

Mas o actor e a advogada de direitos humanos não são os primeiros a deixar Hollywood e juntam-se ao coro de celebridades que se queixa do ambiente caracterizado pela competição, bem como da instabilidade política. Lindsay Lohan, conhecida pelo papel de Cady Heron em Giras e Terríveis (2004), também abandonou Los Angeles, mas pelo Dubai, em busca de tranquilidade e privacidade.

Andie Macdowell, estrela de Quatro Casamentos e Um Funeral (1994), deixou Hollywood no início deste ano e escolheu a Carolina do Sul para viver num ambiente mais calmo, enquanto passa pela síndrome do ninho vazio. “Mudei-me para a Carolina do Sul e estou realmente a cuidar bem de mim. Levei uma eternidade para conseguir isto”, confessou no programa de Drew Barrymore, em Janeiro. “Quando os meus filhos saíram de casa, senti um enorme vazio na minha vida, porque eles eram muito importantes para mim”, partilhou a actriz.

Já Nicole Kidman pediu, neste Verão, autorização de residência em Portugal, onde comprou uma casa num resort de luxo em Melides, perto da Comporta. E o comediante Jimmy Kimmel também revelou que pediu a cidadania italiana, a que pretende recorrer caso tenha de deixar os EUA por motivos políticos. “O que se está a passar é tão mau como se pensava que ia ser. É muito pior — é simplesmente inacreditável”, declarou.

Kimmel é uma das vozes críticas contra a Administração Trump, tal como George Clooney, que apoiou publicamente Kamala Harris nas eleições do ano passado. O actor apontou o dedo a Donald Trump por querer tornar os “jornalistas mais pequenos” e defendeu a importância da imprensa em épocas de crise política. “Quando os outros três poderes falham, quando o poder judicial, o poder executivo e o poder legislativo falham, o quarto poder tem de ser bem-sucedido.”