Um conjunto veterano de jazz anunciou na segunda-feira o cancelamento dos concertos de Ano Novo no Kennedy Center. Este não é o primeiro grupo artístico a afastar-se da instituição artística de Washington depois da mudança de nome. A principal sala de espectáculos da capital norte-americana foi rebaptizada Trump-Kennedy Center, por decisão do seu conselho de curadores, nomeado pelo Presidente norte-americano, anunciou a Casa Branca a 19 de Dezembro.
“O jazz nasceu da luta e de uma insistência implacável na liberdade: liberdade de pensamento, de expressão e da voz humana na plenitude. Alguns de nós fazem esta música há muitas décadas, e esta história ainda nos molda”, disse o grupo de jazz Cookers em comunicado.
O Kennedy Center tinha anunciado duas apresentações de Ano Novo do grupo The Cookers como um “septeto de jazz estelar que incendiaria o palco do Terrace Theater com fogo e alma”. Richard Greenel, um aliado de longa data do Presidente dos EUA, nomeado por Trump para liderar o centro, afirmou na segunda-feira que tais boicotes são uma “forma de transtorno de personalidade” e que os cancelamentos estão a acontecer com artistas contratados pela gestão anterior da instituição. Antes, Greenel tinha dito que os cancelamentos eram uma “manobra política”.
Os The Cookers constam agora da lista de artistas e bandas que cancelaram concertos desde que a mudança de nome foi anunciada pela instituição, que o Presidente republicano preencheu com aliados desde que regressou à Casa Branca. Na semana passada, um concerto de jazz agendado para a véspera de Natal foi cancelado e o músico Chuck Redd, atribuiu o cancelamento à mudança de nome.
O New York Times noticiou que a Doug Varone and Dancers, uma companhia de dança de Nova Iorque, cancelou duas apresentações em Abril. Os democratas consideraram ilegal a decisão do conselho do Kennedy Center de adicionar o nome de Trump à instituição, enquanto a família de John F. Kennedy denunciou a medida como uma afronta ao legado do Presidente assassinado.
A nova direcção do Kennedy Center — complexo que inclui ópera, teatro e uma orquestra sinfónica — retirou da programação espectáculos de transformismo e eventos que celebravam a comunidade LGBT. Em alternativa, ao longo dos últimos meses tem convidado oradores religiosos de direita e artistas cristãos.
Trump tem demonstrado um interesse crescente em deixar a sua marca em Washington e o seu nome em edifícios neste segundo mantado. Há quem afirme que comprometeu instituições ao nomear aliados e ao ameaçar com cortes de financiamento, mas Trump diz que está apenas a combater o que apelida de viés liberal das instituições.