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Investigação histórica revela “provas extensas de estratégia da Ryanair para desmantelar ilegalmente agências de viagens”.
O conflito entre Ryanair e eDreams, que tem chegado aos tribunais, já se prolonga há algum tempo.
A Ryanair e a eDreams, que em teoria até poderiam ser aliadas nos negócios relacionados com viagens, estão em “guerra judicial” evidente.
A eDreams, plataforma de subscrição de viagens, acusou a Ryanair, empresa de aviação, de estar a difamar a plataforma. A Ryanair não seguiu a ordem do tribunal e seguiu-se uma advertência criminal formal.
Mais recentemente, a Ryanair acusou as agências online de cobrar valores excessivos pela bagagem e pela seleção do lugar – com foco na eDreams.
Agora, em Dezembro, foi publicada uma decisão da Autoridade da Concorrência italiana (AGCM), que considerou que a Ryanair cometeu um abuso “muito grave” de posição dominante no mercado.
Numa rusga à sede da Ryanair, foram apreendidos documentos que mostram que a gestão de topo da empresa de aviação induziu conscientemente em erro os acionistas e o Conselho de Administração, sobre o desempenho financeiro da companhia aérea no final de 2023 e início de 2024.
Há provas que demonstram que a quebra nas vendas reportada pela Ryanair nesse período foi consequência direta de uma decisão interna deliberada de bloquear resebrvas efetuadas através de agências de viagens online. Isso foi feito com um programa de bloqueio com o nome de código “Shield”. E a Ryanair “ocultou esta circunstância”.
A eDreams classifica estas conclusões como “históricas”, acrescentando que a Ryanair “recorreu à sua posição dominante para orquestrar uma estratégia sofisticada de coerção dos concorrentes através de meios ilegais”.
“Isto confirma que a equipa de liderança da Ryanair divulgou uma narrativa falsa em comunicações financeiras oficiais, reuniões com acionistas e declarações aos meios de comunicação, atribuindo a deterioração do seu desempenho financeiro a um “boicote externo” por parte dos agentes de viagens online”, reage a eDreams.
Em comunicado enviado ao ZAP, a plataforma descreve este “plano ilegal em várias fases para eliminar a concorrência”.
É uma “decisão anti monopólio que expõe indução em erro dos mercados financeiros pela Ryanair e plano ilegal para asfixiar concorrência”.
A estratégia da Ryanair, descreve a eDreams, passa por várias fases para “eliminar” a concorrência dos agentes de viagens online: bloqueio técnico ilegal (‘Shield’), obstáculos discriminatórios dirigidos aos clientes, campanhas de denegrimento e difamação, d acordos de distribuição coercivos.