Há meio milhar de freguesias em que as populações levam, em média, mais de meia hora de carro para aceder a uma agência bancária, segundo dados do semanário Expresso. É o caso de Salir, no interior de Loulé, no Algarve, onde a Junta de Freguesia passou a oferecer transporte.
Uma singela caixa multibanco liga a sede da maior freguesia do maior concelho do Algarve ao universo bancário português. Mas foi preciso que a Junta de Freguesia Salir abrisse os cordões à bolsa para que existisse, como é descrito na reportagem da SIC.
“Era um mal menor termos uma máquina multibanco para se poder fazer levantamentos e algumas transações básicas. (…) Na altura a obra rondou os 25 mil euros e depois a Câmara Municipal suportou esse custo, mas já é um valor considerável para uma junta de freguesia do interior”, diz Francisco Rodrigues, presidente da junta de Salir.
Imagem extraída da reportagem da SIC
O fecho da última repartição bancária apanhou todos de surpresa em 2018. Nesta localidade vivem 2.500 pessoas, sendo que um terço tem mais de 65 anos.
Levantar a reforma, por exemplo, se não for no ponto CTT que persiste, obrigará a ir até ao banco mais próximo em Loulé ou em Alte.
“E isso acarreta outro risco que é o da segurança. Porque, indo menos vezes à instituição bancária, certamente que levantam maiores quantidades de dinheiro e temos pessoas idosas com mais dinheiro em casa e isso ao nível de segurança é muito perigoso”, alerta o presidente da junta de Salir.
Em qualquer dos casos, ir e voltar são mais de 30 minutos de carro. Segundo uma análise do Expresso, há meio milhar de freguesias na mesma situação. E nem os negócios, como a cortiça, a alfarroba e os frutos secos que há na região, aliciam as instituições bancárias a fazerem-se representar.
Só na última década fecharam dois mil balcões, quase metade dos que mantiveram portas abertas estão em Lisboa e no Porto.