Em 2025, a exploração do espaço continuou a revelar o Universo com um nível de detalhe e uma diversidade de olhares sem precedentes. Telescópios espaciais e terrestres, sondas interplanetárias e observatórios de última geração registaram galáxias distantes, estrelas em formação, planetas vizinhos e fenómenos extremos que ajudam os cientistas a compreender melhor a origem e a evolução do Universo.
Esta galeria reúne algumas das imagens mais marcantes do ano, captadas pelos instrumentos que a humanidade construiu para observar o espaço, verdadeiros prolongamentos da curiosidade humana, capazes de transformar luz, partículas e radiação invisível em retratos impressionantes do cosmos.
Telescópio Espacial James Webb
Projeto conjunto da NASA, da ESA e da Agência Espacial Canadiana, o telescópio espacial James Webb é hoje o principal observatório científico no espaço. Concebido para estudar desde objetos no Sistema Solar até as primeiras galáxias formadas após o Big Bang, o Webb observa o Universo sobretudo no infravermelho.
Lançado no dia de Natal de 2021, começou a divulgar imagens científicas em julho de 2022. Desde então, tem revelado regiões de formação estelar, atmosferas de exoplanetas e galáxias muito distantes, tornando-se uma ferramenta central da astronomia moderna.
No seu quarto aniversário, a ESA apresentou uma compilação das deslumbrantes imagens cósmicas que Webb captou.
Telescópio Espacial Hubble
O telescópio espacial Hubble, da NASA e da ESA, está em órbita há mais de três décadas e continua a ser um dos instrumentos científicos mais emblemáticos da história da exploração espacial. Com mais de um milhão de observações realizadas, captou algumas das imagens mais icónicas do Universo, incluindo galáxias muito antigas e fenómenos extremos.
Nos últimos anos, a NASA tem alertado para o envelhecimento do telescópio e para limitações técnicas crescentes, mas o Hubble continua operacional e a produzir dados científicos relevantes, funcionando de forma complementar ao James Webb.
Programa Copernicus
O programa Copernicus, da Agência Espacial Europeia, observa a Terra a partir do espaço há mais de 25 anos. Atualmente, sete satélites Sentinel monitorizam o planeta, recolhendo diariamente grandes volumes de dados de alta qualidade, partilhados com instituições científicas e governamentais em todo o mundo.
Estas observações são essenciais para estudar fenómenos como o degelo das regiões polares, a subida do nível do mar, os desastres naturais e as alterações climáticas, transformando imagens de satélite em ferramentas de apoio à decisão política e científica.
Estação Espacial Internacional
A Estação Espacial Internacional é o maior laboratório científico alguma vez construído fora da Terra. Está em órbita a cerca de 400 quilómetros de altitude e resulta de uma parceria internacional que envolve várias agências espaciais, incluindo Estados Unidos, Europa, Rússia, Japão e Canadá.
Apesar das tensões geopolíticas e de anúncios contraditórios ao longo dos últimos anos sobre o futuro da participação russa, a ISS continua operacional e a servir de plataforma para investigação científica em microgravidade, observação da Terra e testes tecnológicos para futuras missões espaciais.
Programa Artemis
O programa Artemis é a iniciativa da NASA para o regresso de astronautas à Lua, mais de meio século depois da última missão Apollo, em 1972. O programa é composto por várias missões faseadas, que visam testar novas tecnologias, estabelecer uma presença humana sustentável na órbita e na superfície lunar e preparar futuras missões ao espaço profundo.
Após vários adiamentos, a missão Artemis I foi lançada a 16 de novembro de 2022. Não levou astronautas a bordo e teve como principal objetivo testar o novo foguetão gigante da NASA, o Space Launch System (SLS), bem como a cápsula Orion, onde irão viajar as tripulações das missões seguintes. A Orion percorreu uma órbita distante da Lua e regressou à Terra ao fim de cerca de 25 dias, com amaragem no oceano Pacífico.
A missão Artemis II será a primeira missão tripulada do programa. Está concebida para levar quatro astronautas numa viagem de ida e volta à Lua, sem alunagem, permitindo testar todos os sistemas da nave Orion com seres humanos a bordo. Inicialmente prevista para 2024, foi adiada pela NASA e tem atualmente lançamento apontado para abril de 2026, após a resolução de problemas técnicos identificados durante a missão Artemis I.
A missão Artemis III deverá ser a primeira a levar astronautas a pousar novamente na Lua desde a Apollo 17. O objetivo é realizar uma alunagem na região do polo sul lunar, uma zona de grande interesse científico devido à presença de gelo de água. O calendário desta missão tem sido sucessivamente ajustado e, à data, aponta para a segunda metade da década, não antes de 2026.
A Agência Espacial Europeia participa ativamente no programa Artemis através do European Service Module, construído na Europa, que fornece energia, propulsão, água e oxigénio à cápsula Orion. A ESA participa também no projeto Gateway, uma futura estação espacial em órbita da Lua, concebida como ponto de apoio para missões lunares, plataforma científica e etapa intermédia para uma eventual missão humana a Marte.
Sonda Mars Express e programa ExoMars
A ESA mantém uma presença contínua em Marte com várias missões. A sonda Mars Express, lançada em 2003, continua a estudar a superfície, a atmosfera e a geologia do planeta vermelho. Um dos seus instrumentos, o MARSIS, tem sido fundamental no mapeamento da subsuperfície marciana, procurando sinais de água líquida ou gelo enterrado.
Em paralelo, o Trace Gas Orbiter, do programa ExoMars, analisa a composição da atmosfera marciana e estuda a distribuição de água próxima da superfície. A bordo transporta o instrumento FREND, que procura hidrogénio, um indicador da presença de gelo, ajudando a identificar regiões potencialmente ricas em água.
Euclid, o detetive do “lado escuro” do Universo
A missão Euclid, da Agência Espacial Europeia, foi lançada em julho de 2023 com o objetivo de estudar a matéria escura e a energia escura, dois dos maiores mistérios da cosmologia. Ao mapear a distribuição de galáxias e fenómenos como lentes gravitacionais, a missão pretende compreender como o Universo evoluiu ao longo de milhares de milhões de anos.
Ao longo da sua missão científica, com duração prevista de seis anos, o Euclid deverá detetar dezenas de milhares de lentes gravitacionais e contribuir para um dos maiores conjuntos de dados cosmológicos alguma vez produzidos.
Missão Hera da ESA
A missão Hera é a primeira missão europeia dedicada à defesa planetária. Lançada em 2024, segue agora em direção ao sistema de asteroides Didymos, onde deverá chegar no final de 2026.
Em colaboração com a NASA, a Hera vai estudar em detalhe os efeitos do impacto da sonda DART, que em 2022 colidiu com o asteroide Dimorphos e alterou a sua órbita de forma mensurável, num teste real à capacidade humana de desviar objetos potencialmente perigosos.
Sonda Solar Orbiter
A sonda Solar Orbiter, da ESA, foi lançada em fevereiro de 2020 para estudar o Sol a uma distância sem precedentes. Desde as primeiras aproximações, tem captado imagens detalhadas da superfície e da atmosfera solar, revelando processos fundamentais ligados aos campos magnéticos e ao vento solar.
Estas observações ajudam a explicar fenómenos como o aquecimento extremo da coroa solar, um dos grandes enigmas da física solar, e são essenciais para compreender o impacto da atividade solar na Terra.
É o engenho fabricado pelo Homem que mais se aproximou do Sol, depois da norte-americana Parker Solar Probe da NASA.
Missão BepiColombo a Mercúrio
A missão BepiColombo, um projeto conjunto da ESA e da agência espacial japonesa JAXA, é a primeira missão europeia dedicada a Mercúrio. Constituída por duas sondas, deverá entrar na órbita do planeta em 2026, após uma longa viagem interplanetária.
A bordo segue tecnologia portuguesa, desenvolvida pela Efacec, destinada a monitorizar a radiação espacial. Estes sistemas ajudam a proteger os instrumentos científicos durante períodos de elevada atividade solar, contribuindo para o sucesso da missão num dos ambientes mais extremos do Sistema Solar.