O ano de 2025 fica marcado como um período de transformações profundas no mundo dos negócios, impulsionado por acordos estratégicos que redesenharam setores como os da inteligência artificial e tecnologia, bebida ou moda. Recorde os oito negócios que se destacaram não apenas pelo seu valor financeiro, mas também pelo impacto estrutural que prometem ter no futuro da economia global, segundo a Inc.
Intel e o governo norte-americano
Em agosto, o governo de Donald Trump surpreendeu ao anunciar que iria adquirir uma participação de 10% na Intel. O governo adquiriu um total de 433,3 milhões de ações (sem direito a voto), por 20,47 dólares cada, tornando-se num dos maiores acionistas da empresa, e com o negócio a já se ter mostrado lucrativo, uma vez que a participação do governo já vale agora quase mais nove mil milhões do que o valor pago pelas ações.
O anúncio do negócio, na altura, foi ainda mais surpreendente tendo em conta que, apenas algumas semanas antes, Donald Trump criticou duramente o CEO da fabricante de chips.
Stargate
Em janeiro, OpenAI, SoftBank e Oracle anunciaram o projeto Stargate, uma iniciativa monumental para a criação de centros de dados de inteligência artificial nos Estados Unidos. O plano prevê investimentos que podem atingir os 500 mil milhões de dólares nos próximos anos, tornando-se um dos maiores projetos de infraestrutura tecnológica alguma vez anunciados.
As empresas estimam que o Stargate venha a criar cerca de 100 mil postos de trabalho, com planos para cinco novos centros de dados já revelados em setembro. Estruturada como uma empresa independente, a Stargate é apresentada pela OpenAI como um projeto com ambições económicas e geopolíticas, destinado a apoiar a reindustrialização norte-americana e a reforçar capacidades estratégicas ligadas à segurança nacional dos EUA e dos seus aliados.
OpenAI e Oracle
Ainda no setor tecnológico, setembro trouxe outro acordo de dimensão inédita. A OpenAI assinou um contrato com a Oracle para adquirir 300 mil milhões de dólares em poder computacional ao longo de cinco anos, num dos maiores negócios de computação em nuvem já registados.
Apesar de só entrar em vigor em 2027, o acordo gerou debate entre analistas, que alertam para o facto de o valor superar largamente a receita atual da OpenAI, ao mesmo tempo que exigirá da Oracle investimentos avultados em infraestrutura e endividamento significativo. O impacto inicial no mercado foi imediato: as ações da Oracle subiram 43% após o anúncio, embora já tenha perdido essa valorização desde então.
Pepsi e Poppi
No setor alimentar, a Pepsi adquiriu a marca de refrigerantes probióticos Poppi por 1,95 mil milhões de dólares, consolidando a sua aposta em bebidas funcionais e saudáveis. Fundada em 2020 por Allison Ellsworth, a Poppi nasceu como um projeto caseiro e tornou-se um fenómeno nacional durante a pandemia. A aquisição reforça a estratégia da Pepsi de diversificação num mercado em que os consumidores procuram alternativas aos refrigerantes tradicionais.
Prada e Versace
O setor da moda de luxo também foi palco de um negócio de peso. Em abril, a Prada anunciou a aquisição da Versace por 1,51 mil milhões de dólares, encerrando um processo iniciado ainda durante a pandemia. Após o fracasso da venda da Versace à Tapestry por motivos de anticoncorrenciais, a Prada conseguiu negociar um valor inferior aos cerca de dois mil milhões pagos pela Capri Holdings em 2018. A operação, concluída este mês, reforça a consolidação do luxo europeu num contexto de competição global crescente.
Dick’s Sporting Goods e Foot Locker
No retalho desportivo, a Dick’s Sporting Goods adquiriu a Foot Locker por 2,4 mil milhões de dólares, numa operação que fortaleceu a sua posição no mercado de ténis e amplia a presença internacional. A Foot Locker continuará a operar como entidade independente, embora estejam previstos encerramentos seletivos de lojas para preservar margens de lucro. O acordo surge num ano positivo para a Dick’s, que reviu em alta as suas previsões de crescimento de vendas para 2025.
Aliança Sycamore Partners e Walgreens Boots
Outro dos movimentos mais simbólicos do ano foi a aquisição da Walgreens Boots Alliance pela Sycamore Partners, por cerca de 10 mil milhões de dólares, retirando a empresa da bolsa após quase 100 anos como empresa de capital aberto. Em tempos avaliada em quase 100 mil milhões de dólares, a Walgreens viu o seu valor encolher devido a mudanças no setor da saúde, margens reduzidas e forte concorrência. A Sycamore, conhecida por investir em empresas em dificuldades, acrescenta assim mais um nome histórico ao seu portefólio.
Keurig Dr Pepper e JDE Peets
Por fim, a Keurig Dr Pepper anunciou um investimento de 18 mil milhões de dólares na aquisição da empresa europeia de café e chá JDE Peet’s, numa tentativa de revitalizar o seu negócio de café nos EUA. A conclusão do negócio está prevista para o primeiro semestre de 2026 e será seguida por uma cisão da empresa em duas entidades cotadas separadamente — uma dedicada ao café e outra às restantes bebidas.