A popularização dos procedimentos estéticos no Brasil trouxe ganhos em autoestima e bem-estar, mas também acendeu um sinal de alerta entre especialistas. Complicações graves associadas à harmonização facial, como oclusão vascular, necrose da pele e até perda de visão, voltaram ao centro do debate após a divulgação de estudos que relacionam esses eventos à aplicação inadequada de preenchedores e à falta de protocolos de segurança.
O tema foi o foco do TH Entrevista desta semana, que recebeu o especialista em harmonização facial Keginaldo Paiva. Durante a conversa, ele explicou que os casos mais severos geralmente não estão ligados ao produto em si, mas à técnica utilizada e à formação do profissional. “A maioria das complicações graves ocorre quando há desconhecimento da anatomia facial, uso incorreto de materiais ou desrespeito às normas básicas de segurança”, pontuou.
Entre os principais riscos dos preenchimentos faciais realizados fora dos protocolos estão a injeção do produto dentro de vasos sanguíneos, o que pode interromper a circulação local, causar necrose tecidual e, em situações extremas, atingir artérias que irrigam a região ocular. Segundo o especialista, esses eventos são raros quando o procedimento é feito corretamente, mas se tornam mais prováveis em ambientes sem estrutura adequada ou com profissionais não habilitados.
Keginaldo Paiva também destacou os sinais de alerta que não devem ser ignorados pelos pacientes. Dor intensa e imediata, mudança brusca de coloração da pele, palidez ou manchas arroxeadas, inchaço desproporcional e alterações visuais após o procedimento exigem atendimento médico urgente. “O tempo de resposta é determinante para evitar sequelas permanentes”, reforçou.
Do ponto de vista técnico, o especialista ressaltou que algumas práticas reduzem de forma significativa o risco de complicações. Entre elas estão a avaliação criteriosa do paciente, o domínio da anatomia vascular, o uso de cânulas quando indicado e, mais recentemente, o ultrassom para mapeamento vascular, que permite identificar a localização dos vasos antes da aplicação. “A tecnologia é uma aliada importante da segurança, especialmente em áreas de maior risco”, afirmou.
Antes de se submeter a qualquer procedimento estético, Keginaldo Paiva orienta que o paciente exija informações claras sobre a formação do profissional, registro no conselho de classe, procedência dos produtos utilizados e estrutura da clínica para lidar com intercorrências. “Segurança não é opcional. Ela começa na escolha consciente do profissional e do local onde o procedimento será realizado”, concluiu.
A entrevista reforça que, diante do crescimento da busca por harmonização facial, informação e prevenção continuam sendo as principais ferramentas para reduzir riscos e evitar desfechos graves.
Para assistir a entrevista completa está disponível no canal Portal Tribuna Hoje, no YouTube, e no site tribunahoje.com .