O fungo Candida auris, que pode causar infecções graves e potencialmente fatais, tem alarmado pesquisadores devido à sua alta resistência a medicamentos antifúngicos, dificultando tratamentos em ambientes hospitalares. O patógeno foi identificado pela primeira vez em 2009, no canal auditivo de um paciente japonês.
Este fungo pode provocar desde infecções cutâneas leves até condições letais, como infecções na corrente sanguínea. Sua capacidade de desenvolver resistência aos medicamentos antifúngicos disponíveis torna os tratamentos convencionais ineficazes em diversos casos.
Aproximadamente 6,5 milhões de pessoas são afetadas por infecções fúngicas anualmente em todo o mundo. O tratamento dessas infecções pode resultar em taxas de mortalidade superiores a 50%, principalmente em pacientes com sistemas imunológicos comprometidos.
“Candida auris (Candidozyma auris) é um patógeno fúngico humano emergente que causa infecções disseminadas com alta mortalidade (30-72%) em indivíduos com doenças subjacentes ou imunidade comprometida”, revela o estudo. “O pronunciado tropismo cutâneo e a resistência pan-antifúngica do Candida auris representam uma séria ameaça à saúde global. Uma questão-chave na biologia do C. auris é como isolados clínicos adquirem resistência à anfotericina B.”
Desde sua identificação inicial, o fungo foi detectado em diversos países. A Índia declarou o C. auris como ameaça à saúde pública em 2014. Este patógeno pode infectar várias partes do corpo, incluindo sangue, feridas e ouvidos.
Pessoas podem abrigar o fungo na pele e outras partes do corpo sem apresentar sintomas, condição chamada de “colonização” pelos médicos. Indivíduos colonizados podem transmitir o C. auris para superfícies, objetos e outros pacientes, facilitando sua disseminação em hospitais.
A pesquisa indica que este fungo desenvolve rapidamente resistência a medicamentos através da transformação de uma estrutura semelhante à levedura para um mecanismo de propagação baseado em filamentos. Possui proteínas na parede celular que permitem sua adesão à pele humana “como cola”, estabelecendo colônias difíceis de eliminar.
O patógeno também conta com “bombas de efluxo” em sua membrana celular, capazes de expelir medicamentos antifúngicos antes que possam destruí-lo. Outra estratégia de sobrevivência é a formação de agrupamentos que criam camadas de biofilme pegajoso nas superfícies, dificultando a penetração dos tratamentos.
Os sintomas das infecções por C. auris variam conforme a localização e gravidade. Podem assemelhar-se aos de infecções bacterianas, como febre ou calafrios, mas não existe um conjunto padrão de sintomas específicos, o que dificulta seu diagnóstico precoce e tratamento adequado.