“A minha fotografia de vitória. Ilana e Matan”. Foi juntamente com esta legenda que Einav Zangauker, mãe de Matan Zangauker, publicou no domingo à noite no X, a fotografia que eterniza o momento após o “sim” de Ilana Gritzewsky. O pedido de casamento foi feito em solo norte-americano, mais precisamente no estado da Florida, com vista para o Seminole Hard Rock Hotel, um hotel em forma de guitarra gigante.
תמונת הניצחון שלי????
אילנה & מתן pic.twitter.com/1XQ9wSrJm8— עינב צנגאוקר (@enavezangauker) December 29, 2025
Passaram mais de dois anos desde o dia 7 de outubro de 2023. Foi nesse dia que, aquando do ataque do Hamas a Israel, Matan Zangauker e Ilana Gritzewsky foram sequestrados e feitos reféns. De acordo com o Times of Israel, a porta da casa dos (à data) namorados, foi atingida, o que fez com que estes saltassem pela janela para se tentarem salvar. Não conseguiram. A mulher de 31 anos terá, ainda segundo o jornal israelita, sido agarrada por dois homens que a encapuzaram e levaram de mota.
O relato do sequestro de Matan Zangauker chega-nos através de uma entrevista que o próprio deu a um canal de televisão israelita, o Canal 12, citada pelo Times of Israel. O jovem de 26 anos diz ter sido recebido em Gaza com muita violência. “Crianças, mulheres e idosos, alinhados com paus, com pedras, com tubos, começaram a bater‑me, a espancar‑me.” Matan conta, na mesma entrevista, que o primeiro israelita que viu naquele dia nos túneis onde ficara em cativeiro, foi um soldado das Forças de Defesa de Israel (IDF) morto. Os raptores terão ameaçado Matan dizendo que este teria um fim semelhante. Zangauker relata que durante o período de cativeiro esteve algumas vezes sozinho e outras acompanhado, e que o trataram como se fosse um soldado — foi agredido e viu ser-lhe negada comida.
Ilana Gritzewsky esteve refém durante 55 dias e partilhou o seu testemunho em agosto, num discurso no Conselho de Segurança das Nações Unidas, conforme relata o i24 News. Com 31 anos, a namorada de Matan descreve momentos de horror vividos em Gaza, incluíndo violência física, psicológica e até sexual. Durante o cativeiro perdeu 12 quilos, esteve sem acesso a medicamentos, sem possibilidade de tomar banho e sob pressão psicológica.
Matan não soube do paradeiro de Ilana até ao dia 30 de novembro — dia em que foi libertada e ele teve autorização para ver televisão, conta o próprio ao Canal 12. Viveu então um “misto de emoções”, uma vez que a namorada tinha sido feita refém, ao contrário do que ele pensava, mas por outro lado estava já em segurança.
Desde o dia da libertação de Ilan até chegar a vez da de Matan passaram quase dois anos. Durante esse tempo, Einav Zangauker, a mãe de Matan, foi uma voz incansável na luta pela libertação do filho e restantes reféns e contou com a ajuda de Ilan. De acordo com o i24 News, a mãe de Matan, durante uma manifestação em agosto, numa praça em Tel Aviv, disse que o filho estava “a enfrentar um Holocausto”. Matan conta que os esforços da mãe não foram em vão. E que até os raptores a conheciam. Um dia perguntaram-lhe se era a sua mãe. Matan confirmou. Disseram-lhe então que Einav a “virar o país do avesso” em protestos. Zangauker confessa que lhe deu alento ver que a mãe estava nas ruas a lutar pela sua liberdade.
Volvidos 738 dias de cativeiro, Matan foi libertado a 13 de outubro de 2025 juntamente com outros 19 reféns. Superada esta etapa na vida de ambos, Matan e Ilan estão agora noivos e receberam uma mensagem do Presidente israelita no X:”A partir de dor inimaginável, vocês escolheram a vida, o amor e a paz”.
After surviving the darkness of Hamas captivity, Matan Zangauker and Ilana Gritzewsky have announced their engagement!
Matan endured 738 days in captivity. Ilana survived 55 days, and upon her release fought tirelessly with Matan’s mother, Einav, for Matan and for all the… pic.twitter.com/QTiM40ChTp
— יצחק הרצוג Isaac Herzog (@Isaac_Herzog) December 29, 2025
Texto editado por Dulce Neto