Vários cidadãos norte-americanos já foram presos por forças de segurança venezuelanas desde o início da pressão militar e económica dos Estados Unidos da América sobre a Venezuela, avança uma fonte do Governo norte-americano ao New York Times, apontando que pelo menos duas pessoas terão sido detidas ilegitimamente.
De acordo com a fonte, entre os presos estão três cidadãos com dupla nacionalidade, sendo venezuelanos e norte-americanos, e há ainda dois cidadãos americanos que não terão laços conhecidos com a Venezuela. Alguns dos detidos estarão a enfrentar acusações criminais legítimas, mas o Governo norte-americano estaria a considerar determinar pelo menos duas prisões como injustas.
Sem citar números, o funcionário norte-americano afirma que os americanos detidos na Venezuela começaram a aumentar novamente no outono, depois de Donald Trump suspender os acordos de trocas de prisioneiros que estavam a decorrer desde o início do ano. Esse aumento coincidiu com a implantação de uma ofensiva dos EUA nas Caraíbas e o início de ataques aéreos contra barcos que Washington diz que transportam drogas sob as ordens de Nicolás Maduro.
O jornal diz ainda que a Embaixada dos EUA na Colômbia, que lida com assuntos venezuelanos, recusou-se a comentar o caso e encaminhou as perguntas ao Departamento de Estado, que não respondeu aos pedidos de comentário, assim como o Ministério da Comunicação da Venezuela.
As identidades da maioria dos americanos detidos na Venezuela nos últimos meses são desconhecidas, mas o jornal traz relatos de familiares de desaparecidos que acreditam que os seus entes queridos estarão em prisões venezuelanas. É o caso de James Luckey-Lange, de 28 anos, um viajante que cruzou a fronteira sul da Venezuela no início de dezembro, e de acordo com o funcionário do Governo, será um dos detidos recentemente. Luckey-Lange escreveu no seu blog no início de dezembro que estava a fazer pesquisas sobre mineração de ouro na região amazónica da Guiana, que faz fronteira com a Venezuela. A 7 de dezembro,escreveu a um amigo que estava num local não especificado na Venezuela, e falou pela última vez com a sua família no dia seguinte, revelando que estava a caminho de Caracas, onde planeava apanhar um voo, no dia 12 de dezembro, para Nova Iorque.
Outros americanos que foram libertados recentemente relatam abusos dentro das prisões venezuelanas, como agressões e condições insalubres. O peruano-americano Renzo Huamanchumo Castillo alega ter sido espancado e obrigado a beber um litro de água lamacenta por dia. O homem foi libertado em julho, numa troca de dez cidadãos norte-americanos por 252 venezuelanos que se encontravam presos no Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT). Outro americano libertado foi Wilbert Joseph Castaneda, um antigo fuzileiro que foi detido no ano passado quando se encontrava na Venezuela numa viagem pessoal. “Rezámos por este dia durante quase um ano”, disse a família de Castaneda num comunicado citado pela CBS. “O meu irmão é um homem inocente que foi usado como um peão político pelo regime de Maduro.”
Num balanço publicado no início de dezembro, a organização não-governamental (ONG) Fórum Penal (FP) divulgou que a Venezuela tinha 902 pessoas detidas por motivos políticos, sendo 86 de nacionalidade estrangeira. Contudo, no Natal, 71 pessoas que tinham sido presas depois das eleições presidenciais de 2024 terão sido libertadas.