O tempo passa para todos da mesma forma, mas os anos não. Às 0 horas de quinta-feira, quando nas ruas portuguesas se lançar fogo de artifício e à volta das mesas se comerem as 12 passas, 2026 já leva várias horas de avanço em alguns lugares do Mundo. E noutros, a chegada do novo ano é assinalada sem pompa ou a reboque do ano novo ocidental, guardando-se a festa para datas à margem do calendário gregoriano (ler abaixo).

Catorze horas a mais

Olhemos para o outro lado do globo: o Quiribati, um país insular com dezenas de atóis e ilhas na região do Pacífico Central, é o primeiro ponto do planeta a entrar no novo ano. Isto porque a ilha Kiritimati, um paraíso oceânico onde vivem pouco mais de seis mil pessoas, se encontra no fuso horário UTC+14, o mais adiantado do Mundo (14 horas a mais face ao fuso horário de referência a partir do qual se calculam todas as outras zonas horárias da Terra).

Por isso, quando em Portugal continental (cujo fuso horário é UTC+0 por se alinhar com o Meridiano de Greenwich) ainda eram 10 horas da manhã, as badaladas da meia-noite já se faziam ouvir entre os corais desse país da Oceânia.

Logo a seguir do Quiribati, surgem outros territórios do Pacífico, como Samoa e Tonga, também entre os primeiros a entrar no novo ano. E, depois, Nova Zelândia e Austrália, que ganharam fama mundial sobretudo por causa dos megalómanos espetáculos de fogo de artifício nas grandes cidades.

Ano lunar na China

Na China, esta data tem uma importância menor. O país, o segundo mais populoso do Mundo (foi ultrapassado pela Índia em 2023), não comemora tradicionalmente o ano novo no último dia do calendário gregoriano. A principal celebração é o Ano Novo Chinês, ou Festival da Primavera, que segue o calendário lunar. A data varia todos os anos, ocorrendo normalmente entre o final de janeiro e meados de fevereiro. Embora o 31 de dezembro e o 1 de janeiro possam ser assinalados – sobretudo em grandes cidades, urbanas e turísticas -, essas datas não têm o significado cultural, familiar e simbólico do Ano Novo Chinês.

Também guiado pelo ciclo lunar, o Ano Novo Islâmico, conhecido como Hijri, marca o início de um novo ano em vários países árabes, como a Arábia Saudita ou o Catar. Comemorado no primeiro dia do Muharram, o primeiro mês do calendário islâmico, o Ano Novo Islâmico vai corresponder ao dia 16 de junho do calendário gregoriano. A celebração incide sobre a memória, a reflexão e a gratidão.

Também secundário no Irão e em várias partes da Ásia Central, embora exista no calendário oficial, o ano novo que é celebrado em Portugal e genericamente em todo o Mundo é aí substituído por uma festividade chamada Nowruz, que se baseia no calendário persa e que acontece no equinócio da primavera, em março. É a celebração mais importante do ano, com forte dimensão familiar, cultural e simbólica.

Gregório XIII oficializou atual calendário

O dia 1 de janeiro assinala o primeiro dia do calendário gregoriano, introduzido pelo cristianismo e reconhecido pelo Mundo fora. A data marca o início de um novo ciclo anual e celebra a renovação e a esperança, uma tradição globalizada baseada na reforma do calendário romano por Júlio César e oficializada mais tarde pelo Papa Gregório XIII. Com a expansão ocidental, o 1.º de janeiro tornou-se na data universal para a passagem do ano, mesmo em países que têm celebrações próprias. Ainda assim, os calendários lunar e solar sobrepõem-se em algumas regiões, com celebrações que ocorrem em diferentes alturas do ano e têm características distintas. Se no Ano Novo Chinês, há fogos de artifício, tambores, decorações vermelhas, desfiles e danças, em alguns países do Médio Oriente, os rituais passam por orações, reflexão espiritual e encontros familiares, sem festas exuberantes.

Fuso horário

UTC
A sigla significa Tempo Universal Coordenado, o padrão de tempo global de referência usado para sincronizar relógios e definir fusos horários em todo o Mundo, semelhante ao antigo (e ainda usado) GMT.

Portugal
No horário de inverno, Portugal Continental e Madeira usam UTC+0, o mesmo fuso horário do Reino Unido e Irlanda, devido à posição dos territórios face ao Meridiano de Greenwich.