O presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) considera que seria uma boa opção se Portugal seguisse o exemplo espanhol e substituísse o triângulo por uma luz avisadora, em caso de avaria ou acidente na estrada.

A partir do dia 1 de janeiro de 2026, os carros espanhóis vão deixar de transportar o triângulo que assinala um acidente ou avaria na estrada. Todas as viaturas serão obrigadas a ter um dispositivo, chamado V-16, que emite um sinal luminoso e deve ser colocado na parte mais superior possível do veículo, de preferência no tejadilho.

O objetivo das autoridades espanholas é evitar mortes dos automobilistas associadas à colocação dos triângulos. De acordo com a Direção-Geral de Trânsito (DGT) espanhola, cerca de 25 pessoas são atropeladas na estrada por terem descido do seu veículo. “A nova legislação nasce para evitar estes riscos e reduzir a exposição do condutor ao trânsito”, explica a DGT.

No caso de matrículas estrangeiras, como as portuguesas, continuem a aplicar-se as regras dos respetivos países sempre que os veículos se deslocarem a Espanha. Ainda assim, em declarações à TSF, o presidente do ACP vê com agrado que uma legislação semelhante fosse adotada em Portugal.

“O triângulo já está muito ultrapassado”, sentencia Carlos Barbosa. “De dia ainda se consegue ver alguma coisa, mas à noite não se vê rigorosamente nada e era uma excelente medida podermos utilizar isso”, afirma.

No entanto, considera que “teria de existir um período de adaptação, era preciso dar um espaço de tempo para as pessoas poderem adquirir esse aparelho”.

Essa decisão teria de ser tomada pelo Governo, através do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMT), e, eventualmente, “a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) teria uma palavra a dizer”.

Em resposta à TSF, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária refere que, “de acordo com a norma vigente, à presente data, não é obrigatório, nem legalmente admissível, o uso de outro equipamento que não o triangulo de pré-sinalização de perigo (…), não tendo esta Autoridade conhecimento de que venha a ser obrigatória a utilização de um dispositivo luminoso em substituição do triângulo de pré-sinalização de perigo”.

Os dispositivos emitem um sinal luminoso que avisa os outros condutores e emite um sinal, através de um cartão SIM (como os dos telemóveis), que comunica diretamente com a DGT e as forças de segurança, indicando assim a localização do acidente ou do carro avariado.

A mesma informação chega a softwares de navegação, aplicações de trânsito ou painéis eletrónicos colocados nas estradas.

Só depois de acionada e colocada a sinalização luminosa os ocupantes dos carros devem abandonar os veículos, “desde que exista um lugar seguro fora da plataforma de circulação”, informou a DGT.

Este sistema adotado por Espanha é pioneiro e não há outro país que o use, com as autoridades espanholas a considerarem que muito provavelmente acabará copiado em outros locais.