A indústria tecnológica prepara-se para uma mudança estrutural. Depois da fase de deslumbramento com chatbots e assistentes generativos, 2026 deverá ser o ano em que a inteligência artificial deixa de viver, sobretudo, no software e passa a definir, de forma concreta, o desenho e a arquitectura do hardware.

Já não se trata de experimentar conceitos ou lançar protótipos para medir reacções do mercado. O que se perfila para os próximos 12 meses é uma fase de consolidação: processos de fabrico mais eficientes, formatos estabilizados e dispositivos pensados, de raiz, para executar modelos de inteligência artificial (IA) localmente — com ganhos evidentes em privacidade, latência e autonomia.

As previsões que se seguem cruzam informação proveniente das cadeias de abastecimento, registos de patentes e planos industriais tornados públicos. Ainda assim, importa sublinhar a volatilidade do sector: embora a tecnologia de base esteja praticamente assegurada, muitas designações comerciais e especificações finais continuam protegidas pelo silêncio estratégico das marcas.

Se as peças encaixarem como esperado, estes serão alguns dos produtos que irão definir o pulso da inovação em 2026.

iPhone 18 e a estreia dos 2 nanómetros

Mais do que uma actualização incremental, a geração prevista para o Outono de 2026 poderá representar um marco na engenharia de silício. A TSMC já iniciou a produção do processo de 2 nm (N2) e tudo indica que a Apple será o primeiro grande cliente a explorá-lo em escala. Na prática, isto significa ganhos substanciais de eficiência energética e a possibilidade de correr modelos de IA complexos directamente no dispositivo, sem dependência da nuvem.


O primeiro dobrável da Apple

A tecnologia dos ecrãs dobráveis existe há anos, mas a entrada da Apple no segmento continua a ser encarada como um momento de validação. Segundo analistas como Ross Young, a estreia não deverá acontecer num iPhone, mas num dispositivo híbrido entre iPad e MacBook, com um ecrã de grandes dimensões, próximo das 20 polegadas. O objectivo será oferecer um espaço de trabalho modular, resolvendo fragilidades clássicas como as vincas visíveis.

Samsung Galaxy S26 Ultra

Com o formato tradicional a aproximar-se de um limite evolutivo, a Samsung deverá concentrar-se no refinamento interno. O S26 Ultra deverá integrar a próxima geração de processadores Snapdragon, acompanhada por um sistema de arrefecimento redesenhado para cargas de IA persistentes. Novos materiais poderão reduzir o peso sem comprometer a rigidez nem a integração da S Pen.

Google Pixel 11 e a autonomia total do Tensor

Tudo indica que 2026 será o ano da emancipação definitiva da linha Pixel. A Google deverá abandonar a dependência da base Exynos da Samsung e apresentar um Tensor G6 totalmente desenhado “dentro de portas” e fabricado pela TSMC. O objectivo é claro: resolver limitações térmicas e de eficiência que têm condicionado a ambição premium dos Pixel.

Apple Vision Air

Depois do exercício tecnológico que foi o Vision Pro, o mercado espera uma versão mais acessível e leve. O Vision Air deverá recorrer a materiais menos densos e a ecrãs micro-OLED de menor resolução, equilibrando custo e experiência. Parte do processamento poderá ser delegado num iPhone emparelhado, reduzindo o peso do headset.

Óculos de realidade aumentada “Orion”, da Meta

Mark Zuckerberg tem sido insistente na visão de um futuro pós-smartphone. Ao contrário dos actuais capacetes de realidade virtual, o projecto Orion aposta em óculos de realidade aumentada com um formato socialmente aceitável. 2026 poderá marcar a chegada das primeiras unidades comerciais, provavelmente destinadas a programadores, capazes de projectar informação directamente no campo de visão, sem recorrer a vídeo passthrough.

Samsung Galaxy Ring 2

A segunda geração do anel inteligente da Samsung deverá aprofundar a lógica de integração invisível. Para lá da monitorização de sono ou actividade física, o Galaxy Ring 2 poderá funcionar como interface gestual para outros dispositivos e incorporar sensores de saúde mais avançados, dispensando o uso permanente de um relógio.

Processador central para PC da Nvidia e MediaTek

Esta é a grande surpresa estratégica para 2026. Habitualmente focadas em áreas distintas, a Nvidia e a MediaTek deverão unir esforços para lançar um processador central para computadores Windows. O objectivo é combater o domínio da Intel, AMD e Qualcomm. A divisão de tarefas será clara: a MediaTek fornece a arquitectura do processador e a conectividade 5G, enquanto a Nvidia integra a sua poderosa arquitectora gráfica (GeForce). O resultado poderá ser o primeiro portátil fino e leve capaz de correr jogos de topo com elevada qualidade de imagem.

Steam Deck 2

A Valve confirmou que existe mercado para um PC de bolso. A próxima iteração deverá apostar menos na força bruta e mais na eficiência: melhor autonomia, nova arquitectura gráfica da AMD e desempenho consistente em jogos “AAA” contemporâneos, num formato verdadeiramente portátil. Apesar de muitos analisas acreditarem num lançamento a tempo do Natal de 2026, há quem aponte para um lançamento apenas em 2027.

Tesla “Model 2”

A promessa de um Tesla acessível arrasta-se há anos, mas a pressão dos construtores chineses poderá tornar 2026 decisivo. Espera-se um modelo compacto, produzido com processos de fabrico simplificados — como o “unboxed assembly” — para reduzir custos e atacar o segmento de entrada do mercado europeu. A chegada em 2026 dependerá do desempenho de vendas dos actuais Model 3 e Y mais acessíveis.

Robótica doméstica com modelos de linguagem

A próxima geração de robôs domésticos irá muito além do mapeamento de divisões. A integração de modelos de linguagem multimodais permitirá compreender ordens contextuais — “limpa a cozinha porque entornei farinha” — interpretando intenção, espaço e prioridade, num passo claro em direcção à autonomia funcional.

Windows 12 e o fim da lógica das pastas

A Microsoft prepara uma mudança profunda na forma como interagimos com o sistema operativo. O Windows 12 deverá colocar a IA no centro da experiência, substituindo a organização rígida de ficheiros por pesquisa semântica. Em vez de “onde guardei”, passará a importar “o que é”.