Lionsgate / DivulgaçãoSydney Sweeney Amanda Seyfried em cena de “A Empregada” (2025), filme dirigido por Paul Feig.Lionsgate / Divulgação

É batata: todo romance que vira best-seller ganha uma versão cinematográfica. Especialmente se tiver ingredientes muito apreciados em Hollywood, como personagens jovens, suspense com reviravoltas, segredos de família e temas do momento — revelar logo de cara seria dar um tremendo spoiler de A Empregada (The Housemaid, 2025), filme que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (1º).

Trata-se da adaptação do livro homônimo publicado em 2022 por Freida McFadden, que vendeu milhões de exemplares — em boa parte por causa do TikTok — e deu origem a uma trilogia. A direção é de Paul Feig, o mesmo de Missão Madrinha de Casamento (2011), Um Pequeno Favor (2018) e Uma Segunda Chance para Amar (2019).

O elenco é encabeçado por Sydney Sweeney, 28 anos, uma das atrizes mais midiáticas dos últimos tempos, mesmo que não raro devido a controvérsias — a campanha publicitária dos jeans American Eagle, por exemplo, deu margem para ser interpretada como uma exaltação da supremacia branca e uma defesa da eugenia.

Sweeney interpreta Millie, uma ex-presidiária em liberdade condicional que busca um emprego para reconstruir sua vida — no momento, ela dorme no carro. Certo dia, um milagre acontece: a jovem é contratada para ser a empregada — incluindo moradia — na mansão dos Winchester: Nina (papel de Amanda Seyfried, indicada ao Oscar de codjuvante por Mank e cotada ao prêmio de melhor atriz por O Testamento de Ann Lee), sua filha, Cecilia, e seu marido, Andrew (encarnado por Brandon Sklenar, da série 1923). 

Logo Millie percebe que Nina é uma mulher temperamental e imprevisível, com oscilações bruscas de humor e mudanças repentinas de planos. Em contraste, Andrew desfila sua calma e sua sensatez e também seus bíceps e seus tríceps. Em casa, o maridão anda de regata branca e não demora a aparecer nos sonhos da empregada.

Lionsgate / DivulgaçãoAndrew (papel de Brandon Sklenar) e Nina (Amanda Seyfried) em “A Empregada”.Lionsgate / Divulgação

Qualquer espectador acostumado aos thrillers eróticos que eram populares em Hollywood nas décadas de 1980 e 1990 consegue intuir os próximos passos da trama. Aliás, o que não faltam em A Empregada são pistas: o filme usa e abusa do conceito narrativo conhecido como Arma de Tchekhov (em referência ao contista e dramaturgo russo Anton Tchekhov). Ou seja: quase tudo que é dito ou mostrado no início da história vai ter um propósito mais adiante.

Mas pelo menos para quem nunca leu o livro, A Empregada também tem muitas surpresas a oferecer. Uma delas é o despudor para abraçar os clichês e os estereótipos — vide o jardineiro Enzo, vivido pelo ator italiano Michele Morrone, egresso da trilogia soft porn 365 Dias (2020-2022). Este é um filme em que ninguém tem medo ou vergonha de ser exagerado. Desde o compositor da trilha sonora, Theodore Shapiro (premiado duas vezes no Emmy pela série Ruptura, em 2022 e em 2025), até, principalmente, Amanda Seyfried, que rouba o holofote de Sydney Sweeney tanto por ter mais talento quanto por sua personagem ter mais camadas.

E quem não leu o livro pode acabar se deliciando enquanto o elenco e a equipe técnica de A Empregada se lambuzam no inverossímil e no estapafúrdio — ainda que, vale repetir, todas as reviravoltas sejam detalhadamente explicadas neste filme que transforma um problema sério em uma divertida montanha-russa: na última cena, o esboço de um sorriso malicioso por uma personagem pode detonar gargalhadas na plateia.

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