A partir desta quinta-feira, a moeda única europeia tem mais um membro com a entrada da Bulgária, país com cerca de 6,7 milhões de habitantes.

É o 21.º país da União Europeia a ter como moeda oficial o euro, 24 anos depois de a moeda europeia ter ganho forma física em doze países ao mesmo tempo, Portugal incluído.

Com o país a atravessar uma crise política, após o executivo liderado por Rosen Zhelyazkov se ter demitido em Dezembro, um dos temores que surge associado à mudança da moeda nacional, eliminando o lev, é o da subida de preços e do custo de vida.

Para ajudar a controlar esse receio, conforme destacou esta quarta-feira a Comissão Europeia, as autoridades locais estão a acompanhar diariamente os preços de 101 produtos comprados de forma frequente, publicando-os online. Essa estratégia serve tanto para informar os consumidores como para pressionar empresas e vendedores a não efectuar subidas injustificadas.

Não sendo o euro uma novidade para os búlgaros, nomeadamente porque a moeda única já existia quando o país aderiu à UE, em 2007, o lev está associado à sua soberania, tal como estavam as outras moedas dos países membros da zona euro (perde-se o poder de desvalorizar a moeda, e os juros passam a ser ditados pelo Banco Central Europeu, por exemplo).

Isso, e vozes que recordam a crise que aconteceu com a Grécia, país vizinho da Bulgária e que esteve prestes a sair da moeda única de forma abrupta, acentuam os receios de alguns cidadãos.

De acordo com um inquérito citado pelo jornal britânico The Guardian, elaborado pelo Ministério das Finanças búlgaro, 51% apoiam a adesão à moeda única e outros 45% dizem estar contra (os outros 4% não terão proferido opinião).

“Não é surpreendente”, afirmou ao The Guardian Petar Ganev, investigador do think tank búlgaro IME, comentando os resultados do inquérito. “O país está dividido sobre quase tudo o que se possa imaginar”, sublinhou.

Próxima da Rússia, a Bulgária é considerada o país mais pobre da UE (em termos de PIB per capita), com relatos de suspeitas de que os russos têm disseminado informações negativas e falsas sobre questões como os impactos da moeda única.

Euro é “muito mais do que uma moeda”

Na actual conjuntura, mais do que no passado recente, o acto de passar a pertencer à zona euro surge como algo mais profundo do que a partilha de uma moeda. Com este passo, há também uma clara escolha política e social.

“O euro sempre foi muito mais do que uma moeda”, afirmou o comissário europeu para a Economia e Produtividade, Valdis Dombrovskis. A moeda única disse, “aproxima ainda mais a Bulgária do coração da Europa e envia um sinal claro ao mundo que a nossa força reside na união”.

“O euro trará benefícios para os búlgaros, tornando os pagamentos e as viagens fáceis”, destacou por seu lado a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acrescentando que trará também “novas oportunidades” em termos de negócios, “potenciando as vantagens do mercado único”.

Além disso, vincou, vai “reforçar a voz da Bulgária na Europa”, algo que, defende, é positivo para o país e que vem também “reforçar a Europa como um todo”.

De acordo com as regras definidas, durante este mês de Janeiro o lev e o euro irão coexistir, mas a partir de 1 de Fevereiro só a moeda europeia será usada nas transacções (cada euro vale 1,95 levs).

Já a apresentação de preços, que surge nas duas denominações desde o passado mês de Agosto, vai durar até 8 de Agosto de 2026. Isso poderá facilitar a transição para pessoas como os mais idosos.

Durante os primeiros seis meses, a troca do lev pelo euro pode ser feita nos balcões dos bancos comerciais e nos postos de correio de forma gratuita. Ao contrário do que sucedeu em Portugal, não há um prazo máximo para converter o dinheiro, tendo as pessoas que se deslocar ao banco central búlgaro caso o queiram fazer de forma gratuita a partir de Julho.

De acordo com o Banco de Portugal, esta instituição irá trocar gratuitamente notas de lev no território nacional entre 1 de Janeiro e 2 de Março.

Com a adesão da Bulgária, passam a existir apenas seis países na UE que não partilham o euro: Suécia, Dinamarca, Polónia, Hungria, Chéquia e Roménia. Assim, a partir de hoje, a mesa da moeda única passa a ser partilhada por mais de 357 milhões de cidadãos de forma corrente.