Marcelo Rebelo de Sousa chega ao final do mandato com avaliação positiva, sobretudo entre as mulheres, os mais velhos e os eleitores da AD. No geral, 56% dos portugueses dão-lhe boa nota, face a 40% que têm uma visão negativa, o que lhe garante um saldo positivo de 16 pontos, de acordo com a sondagem de dezembro da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN. Descontentamento significativo com o presidente da República, só mesmo entre os eleitores do Chega. Na comparação com o primeiro-ministro, também leva vantagem”: 34% confiam mais em Marcelo, face aos 22% que preferem Luís Montenegro.

O presidente não alcança o nível de popularidade que chegou a ter no seu primeiro mandato. A política portuguesa tornou-se bastante mais polarizada nos últimos anos e, por outro lado, Marcelo foi protagonista, por força do cargo e das suas decisões, de momentos de instabilidade que levaram à queda de três governos (dois de António Costa e um de Luís Montenegro) e as eleições antecipadas. No entanto, e quando estamos a pouco mais de dois meses do final do seu segundo mandato, a avaliação geral dos portugueses é favorável: 16 pontos de saldo positivo (diferença entre notas positivas e negativas).

Maior apreço entre as mulheres e os mais velhos

Quando se analisam os diferentes segmentos da amostra (género, idade, classe social, geografia e voto partidário), percebe-se melhor onde assentam os alicerces da popularidade de Marcelo: a sua atuação a partir do Palácio de Belém é valorizada sobretudo pelas mulheres (com um saldo positivo de 24 pontos), pelos que têm 65 ou mais anos (saldo de 29 pontos) e pelos que votaram na AD nas últimas legislativas (saldo de 35 pontos). Entre os socialistas, o resultado é igualmente favorável (saldo de 17 pontos).

Há, apenas duas exceções à valorização positiva do atual presidente, quando se tem em conta o conjunto de 19 segmentos em destaque no relatório, e provavelmente com a mesma origem: mais nítida a crítica entre os eleitores do Chega (saldo negativo de 24 pontos, uma vez que apenas um terço dá nota positiva), e menos pronunciada no escalão etário dos 35/44 anos (saldo negativo de seis pontos), a faixa em que o Chega conseguiu o melhor resultado na intenção de voto para as legislativas (a amostra para ambos os estudos é a mesma).

Marcelo ganha a Montenegro no “jogo” da confiança

Um outro indicador de um mandato que termina em alta é o resultado da pergunta sobre a confiança no presidente da República, quando confrontado com o primeiro-ministro: 34% apontam para Marcelo e 22% para Montenegro. O presidente destaca-se, em particular entre as mulheres (mais oito pontos do que entre os homens), nos mais jovens (40%), nos residentes da Região de Lisboa (44%) e nos eleitores socialistas (52%).

O chefe do Governo tem resultados um pouco acima da média entre os que têm melhores rendimentos (30%) e na faixa etária dos 35/44 anos (28%), mas na verdade Belém e S. Bento ficam empatados nesse dois segmentos. Montenegro só consegue supremacia no “jogo” da confiança quando estão em causa os eleitores da AD (41%) e os do Chega (26%, mas apenas dois pontos de vantagem sobre Marcelo).

Ficha Técnica

Sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI e CNN Portugal com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a atualidade nacional e internacional e com as eleições presidenciais de 2026. O trabalho de campo decorreu entre os dias 11 e 19 de dezembro de 2025. A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores recenseados em Portugal e foi devidamente estratificada por género, idade e região. Foram realizadas 2012 tentativas de contacto, para alcançarmos 1000 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,7%. As 1000 entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/- 3,16% para um nível de confiança de 95,5%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.