Kim Jong-un, líder da República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), dedicou parte do seu discurso de Ano Novo, proferido no Estádio Primeiro de Maio Rungrado, em Pyongyang, a exaltar a “aliança invencível” entre o seu país e a Federação Russa, noticiou esta quinta-feira a agência noticiosa estatal norte-coreana KCNA.

Referindo-se aos cerca de 11 mil soldados que foram mobilizados para a Rússia para ajudarem as Forças Armadas daquele país na guerra contra a Ucrânia, Kim elogiou o seu “heroísmo” e “coragem” e deixou-lhes uma garantia: “Pyongyang e Moscovo estão convosco”.

“Enquanto todo o país está envolto numa atmosfera festiva de boas-vindas ao Ano Novo, sinto ainda mais a vossa falta, vocês que estão a lutar corajosamente, neste preciso momento, nos campos de batalha em terras estrangeiras”, afirmou o “Líder Supremo”, segundo a KCNA.


“Todos vocês protegeram heroicamente a dignidade e a honra da República Popular Democrática da Coreia”, acrescentou. “Graças ao vosso sacrifício e luta dedicada, a fraternidade militante, a amizade e a aliança invencível entre o nosso país e a Rússia tornam-se mais firmes.”

Imagens das celebrações do Ano Novo partilhadas pela KCNA mostram Ri Sol-ju, mulher de Kim Jong-un, e Kim Ju-ae, filha e possível sucessora do chefe do regime comunista-dinástico, no estádio nacional.

Milhares de soldados norte-coreanos morreram ao serviço da Rússia, nomeadamente em Kursk, região que foi invadida pelas forças ucranianas no Verão de 2024. Não obstante o elevado número de baixas, os serviços secretos da Ucrânia revelaram em Julho do ano passado que Kim tinha planos para enviar entre 25 mil e 30 mil tropas norte-coreanas para reforçar as fileiras russas.

A par de soldados, a Coreia do Norte tem fornecido armas e munições para o Exército russo. Em troca, Moscovo tornou-se uma importante fonte de combustível e de alimentos para um dos países mais pobres e isolados do planeta, que é alvo de sanções do Conselho de Segurança nas Nações Unidas desde 2006 por causa do desenvolvimento do seu programa nuclear.

Para além disso, dizem os serviços secretos da Coreia do Sul, Pyongyang tem obtido acesso a tecnologia de guerra russa que, segundo Seul, é fundamental para o desenvolvimento e modernização das Forças Armadas norte-coreanas, um dos objectivos estratégicos que o regime pretende consagrar no 9.º Congresso do Partido dos Trabalhadores, previsto para os primeiros meses deste ano.

Em Junho de 2024, depois de meses a rotularem as notícias sobre a participação de soldados norte-coreanos na guerra da Ucrânia e o fornecimento de armas à Rússia como “absurdas”, Vladimir Putin e Kim Jong-un assinaram na capital norte-coreana um tratado de “parceria estratégica” que inclui uma cláusula de segurança mútua.


Um batalhão de soldados norte-coreanos que combateu os ucranianos mereceu lugar de destaque nas comemorações do 80.º aniversário do Dia da Vitória, em Moscovo, no dia 9 de Maio, e Kim caminhou ao lado de Putin e de Xi Jinping no dia 3 de Setembro, em Pequim, aquando das celebrações do fim da II Guerra Mundial na China.

Este reforço da cooperação com a Rússia permitiu, por exemplo, à Coreia do Norte, ignorar os pedidos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos para a realização de uma nova ronda de negociações tendo em vista a desnuclearização do país.