Uma corridinha, um mergulho no mar, três cabeçadas no penedo, três desejos e, no final, um brinde ao novo ano. É, diz Manuel Forte, o “segredo” para um 2026 extraordinário. Esta manhã, Forte e os amigos – o “grupo dos cuequinhas” -, vestiram-se a rigor e cumpriram a tradição na praia da Senhora da Guia, em Vila do Conde. Velhos e novos, famílias inteiras, de pijama ou de fato de banho, duas centenas foram a banhos e nem o Pai Natal faltou à festa. A boa disposição e o convívio arrastam grupos de todos os concelhos vizinhos e, hoje, nem a chuva os demoveu.

“Depois disto, não há gripe que nos pegue. Ficamos imunes para o resto do ano”, diz, sorrindo. Vestido de branco, cueca vermelha de renda por cima, Manuel Forte vem de Braga todos os anos desde 2013. Garante que não custa nada e o convívio é “do melhor”, sempre com “muitas gargalhadas à mistura”.

Manuel Faria chega de Famalicão. Vestido de Pai Natal, faz parte da “Orquestra Pentágono”. Há dez anos que o grupo se junta para vir a banhos a Vila do Conde no primeiro dia do ano. Desta vez, trouxe o neto Martim, que se estreia na tradição. “Custa é sair de casa. Depois, é uma alegria. Há gente que só vejo uma vez por ano, neste dia”, conta, ainda antes de começar a corrida de seis quilómetros que antecede o mergulho.

Na banca dos comes e bebes, Sílvia Sepúlveda prepara o “miminho” para quem sai do mar: bolo-rei, barquinhos de ovos-moles, folhado de Nutella e um cálice de Vinho do Porto. A Associação de Atletismo Vilacondense (AAV) nasceu em fevereiro e, explica a presidente, já abraçou a tradição: “Nos últimos anos, eram grupos dispersos: 10 aqui, 15 ali, mais cinco acolá. Decidimos juntar as pessoas e fazer uma coisa mais organizada. Independentemente do clube e da terra, desporto é desporto.”

A AAV nasceu para colmatar a falta de um clube de atletismo que apostasse na formação em Vila do Conde. Esta manhã, a atleta mais nova, Laura, de quatro anos, e Bernardo, de 10, eram apenas dois dos que arrastaram as famílias e se juntaram à festa.

No areal, Olívia Marques sai do mar, dá três cabeçadas no penedo e pede os seus três desejos. Tradição cumprida. Banhou o corpo e lavou a alma. “Não está frio nenhum! É muito saudável!” afirma, sem hesitar, do alto dos seus 75 anos. Para o novo ano, pediu “saúde e paz e… um namorado”, que “os 75 anos são só no papel”.