A confirmação do fecho foi dada ao JN por Alberto Fonseca, o proprietário do icónico estabelecimento da Invicta. No fim de semana seguinte, o espaço reabrirá portas, mantendo o mesmo horário, mas com um novo nome e conceito, direcionado para as “gerações mais novas”.

A gestão continuará no seio familiar, com o filho de Alberto Fonseca a assumir as rédeas.

“Para mim, é difícil falar. Foram muitos anos! Primeiro, quase duas décadas nos Poveiros [entre 1989 e 2005, num negócio que, na altura, já passou de pai para filho]; e, agora, mais de 20 anos aqui [entre 2005 e 2026, na Rua Conde de Vizela, próximo dos Clérigos]. Os clientes, e são muitos, ficaram naturalmente tristes com a notícia do fecho. Para mim, será um intervalo. Também preciso de descansar um pouco”, confidencia o proprietário, comovido.

“Decisão difícil e dolorosa”

Com o passar dos anos, Alberto Fonseca afirma que a tipologia de quem frequenta a zona dos Clérigos para se divertir à noite mudou. “Há muitos miúdos de Erasmus e clientela estrangeira”, assinala, num fenómeno relacionado com o “boom” do turismo e os programas para estudantes internacionais da Universidade do Porto.

“Emocionado” com a aproximação da data do fecho, o dono promete para a noite do dia 10 uma “despedida em grande, com lágrimas à mistura”, num serão que atrairá, seguramente, um vastíssimo número de fãs, dado o simbolismo do momento e o significado da casa para os amantes do rock. “Casámos hábitos. Também casámos pessoas”, escreveu o dono, nas redes sociais Instagram e Facebook.

Para a legião de seguidores, este encerramento não representa, porém, o fim do “Tendinha”. E este será o lado bom da história. Alberto Fonseca deixa no ar a forte possibilidade de a marca reabrir, mas noutra localização. Depois dos Poveiros e dos Clérigos, outro capítulo se seguirá.

“Foram 20 anos em crescendo. Sempre a somar simpatia e diversão. O Tendinha ofereceu serviço de qualidade e emprestou alma ao Porto. O conceito permanecerá vivo na memória de amigos e clientes, suavizando uma decisão dura, difícil e dolorosa, mas consciente e corajosa. E, porque a marca fica, o conceito poderá ganhar outra dimensão ou um outro espaço”, lê-se ainda. “A nossa última noite será a 10 de janeiro. Este texto é também um convite e um até já, com a certeza de que voltaremos a dançar numa outra pista”, termina o “post”, assinado por Alberto Fonseca.