«Você vai-me fazer chorar, poça!», avisou Rui Borges, quando a penúltima pergunta da entrevista à Sporting TV o questionou sobre a importância do avô Zé, que já partiu.

O treinador leonino recuou então no tempo, aos tempos em que era adolescente, para falar de um homem simples, um sapateiro, que trabalhou até ser muito velho e que teve grande influência sobre ele.

«Acho que ele está lá cima muito orgulhoso do que o neto está a fazer», começou por garantir. «Será sempre uma pessoa muito especial para mim, porque me demonstrou o que é dar valor às coisas, e a pequenas coisas.»

Depois disso, Rui Borges explicou que há uma dessas pequenas coisas de que nunca abdica, passados tantos anos, exatamente porque lhe recorda o avô e a forma como o avô o amava.

«Eu adoro romãs, como todos os dias e felizmente aqui na Academia tenho essa possibilidade. O meu avô nunca teve muitas posses, mas tinha uma romãzeira em casa e levava-me sacos de romãs, que era a forma de mostrar que me amava. Nós dizemos poucas vezes aos nossos que os amamos e eu queria ter dito mais vezes ao meu avô que o amava. Talvez pela adolescência, pela maneira de ser, nunca o disse muitas vezes», contou.

«Talvez o que é hoje a minha personalidade, o que é hoje o meu ser, tem muito a ver com o meu avô, que já muito velhinho metia solas nos sapatos para ganhar se calhar 500 escudos.»