Janeiro de fogaça à Feira
Entre ressacas, planos e Janeiras, começamos o ano a caminhar para Santa Maria da Feira, onde a Festa das Fogaceiras se prontifica para cumprir uma das tradições mais expressivas e enraizadas na identidade local. É também uma das mais antigas do país, a contar 521 anos desde que se realizou pela primeira vez, para espantar a peste. Em honra de São Sebastião, torna a sair à rua um desfile de fogaças transportadas por 250 meninas do concelho, vestidas de branco e cintas coloridas. Marcado para 20 de Janeiro, é o ponto alto de um programa que se alarga a concertos (Bia Maria, Best Youth, Filarmonia com Fernando Daniel…), oficinas, exposições, gastronomia e outras iniciativas até ao fim do mês.
É só o início do muito que Santa Maria da Feira ainda tem para dar ao calendário de 2026: Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua, Semana Santa, Festival da Cerveja Artesanal com Lúpulo Feirense, Viagem Medieval em Terras de Santa Maria, Perlim…
Em Fevereiro, sê chocalheiro
Levados pelo Carnaval e pela possibilidade de um fim-de-semana prolongado, podemos cair em tentações e corsos de toda a sorte pelo país, das matrafonas de Torres Vedras às Entrudanças de Castro Verde, passando pelo centenário desfile de Loulé ou por versões de samba no pé. Mas há uma festa que reclama o título de “mais genuína de Portugal”, com o respaldo da UNESCO, que a reconheceu como Património Imaterial da Humanidade. De 14 a 17 de Fevereiro, o Entrudo Chocalheiro sai às ruas de Podence (Macedo de Cavaleiros), soltando os seus coloridos e endiabrados caretos, o desfile de marafonas, a Ronda das Tabernas, a Queima do Entrudo, passeios e muito mais.
Entrudo Chocalheiro
Nelson Garrido
Março por um pedaço (de chocolate)
As ameias obidenses estão ligadas a tudo e mais um par de ginjinhas — Vila Natal, época medieval, literatura no Folio, viagens em Latitudes, festivais de ópera e piano… —, de preferência em copo de chocolate. É neste ingrediente que o burgo se volta a concentrar e lambuzar, numa festa para gulosos e curiosos, entre 6 e 22 de Março (de sexta a domingo), com “sabores, experiências e curiosidades que vão deliciar o paladar e despertar todos os sentidos”, adianta já a organização do Festival Internacional de Chocolate de Óbidos.
Em Abril, Alvarinho e fumeiros mil
O mês em que celebramos a Páscoa (dia 5) e brindamos ao 52.º aniversário da Revolução dos Cravos, que tomará a liberdade de espalhar festejos pelo país fora, também é aquele em que levantamos o copo e estendemos o prato à Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço. A 32.ª edição ainda não tem datas precisas, mas é dada como certa para esta altura do ano, como montra do melhor que a região tem para oferecer em termos enogastronómicos: presunto, salpicão, broa, mel, queijo, doçaria e, claro, o vinho da casa. Tasquinhas, concursos, showcookings, provas, conversas e visitas alinham habitualmente no cardápio.
Maio ao sinal da santa cruz
Em Barcelos, a Festa das Cruzes sinaliza a abertura da época das grandes romarias minhotas, com o seu desfile de arcos enfeitados pelas freguesias, os seus tapetes de pétalas, a batalha de flores e, ponto alto dos festejos, a Grandiosa Procissão da Invenção da Santa Cruz, que coincide com o feriado municipal, 3 de Maio (embora a festa deva começar antes). Tudo isto em nome de uma lenda que remonta ao século XVI e à história de um sapateiro que terá visto um sinal sagrado em forma de cruz quando regressava da missa. A devoção religiosa vai de mão dada com folclore de rua, cortejos, rusgas minhotas, arruadas, fogo-de-artifício, exposições, música e outras expressões.
Festa das Cruzes
Paulo Pimenta
Meu santo mês de Junho
Manjericos, marchas e outros encantos na véspera de 13 de Junho, em honra do Santo António de Lisboa. Martelinhos, alho-porro, balões e festa rija no Porto pela noite de São João (de 23 para 24). O São Pedro (29) a fazer das suas em Sintra e noutras ruas. E sardinhadas por toda a parte, em arraiais e bailaricos juninos a escorrer de calor e povo. Venham daí os santos populares e os feriados para os aproveitar, que ainda o ano vai a meio.
Julho para a cerveja Caminha
A arte de bem regar a festa cultiva-se no centro histórico de Caminha, onde o Artbeerfest — que já foi considerado o melhor dos festivais não musicais pelos Iberian Festival Awards, em 2023 — costuma montar o seu estaminé de cerveja artesanal, dando serventia a dezenas de rótulos das mais diversas proveniências nacionais e internacionais. Por norma, acolhe para cima de 30 mil visitantes, atraídos também pelas provas comentadas, os petiscos, a animação musical e, alguns, até pelas… corridas. Anote-se na agenda: 9 a 12 de Julho.
Agosto ao mar
As férias grandes convidam a banhos, o Algarve seduz forasteiros e as mesas enchem-se de sabores do mar. Olhão e Portimão, cidades peritas nesta safra, trazem à rede dois dos maiores eventos gastronómicos da região e do país: os festivais do marisco e da sardinha, respectivamente. As edições de 2026 (que serão a 37.ª olhanense e a 30.ª portimonense) ainda não têm datas oficiais, mas já estão a ser preparadas com frescura garantida na ementa, lugar para milhares de comensais e cartazes musicais que, só por si, são festivais.
Setembro às vindimas
Também ainda sem datas, mas com a certeza de uma grande celebração de “vinho, gentes e tradição”, em terras de “vinhas fartas até onde o olhar alcança”, a 63.ª Festa das Vindimas de Palmela andará a pisar uvas em Setembro, a abençoar o primeiro mosto, a provar as produções das adegas (das castas brancas aos moscatéis), a andar no Cortejo das Vindimas e a juntar outros festejos à carta que enaltece os néctares da região.
Vinha em Palmela
Nuno Alexandre
Em Outubro, come-se de tudo
“Vamos começar a preparar a 45.ª edição do festival, desvendemos já a data: 22 de Outubro a 1 de Novembro de 2026”. O anúncio é do muito concorrido — e com tendência para crescer — Festival Nacional de Gastronomia de Santarém. Ostentando medalhas como “o mais antigo e mais icónico” evento do género, faz da Casa do Campino um ponto de encontro dos mais apetitosos sabores regionais de todo o país, sem deixar de abrir a porta a novas interpretações propostas por chefs convidados, muitos deles “estrelares”. Jantares exclusivos, tasquinhas, petiscos, demonstrações, artesanato, música e actividades para crianças entram no programa.
Novembro por míscaros
Em época de castanhas, aguardente e azeite, também quem tem cogumelos é rei. E, neste campo, a aldeia de Alcaide, no Fundão, é imbatível quando o assunto é transformar o fungo em festival. Nem “a tempestade a não dar tréguas durante vários dias” fez murchar a verve de quem ergue o Míscaros – Festival do Cogumelo: em 2025, a equipa “manteve-se fiel ao seu compromisso e pôs de pé mais uma edição memorável”, registou nas redes sociais. Mais: anunciou nova ronda para 2026. À falta de datas precisas, não faltam bons motivos para nota futura: caminhadas, colheitas e experiências gastronómicas num ritual outonal familiar que vai da cesta ao prato, em plena Serra da Gardunha, com a sabedoria popular e o saber científico a guiarem a jornada.
Dezembro é para adoçar
Para o mês do Natal e da passagem de ano, ousamos pôr de lado essas festas que se hão-de impor naturalmente — e das quais ainda estamos neste momento a recuperar — e investimos numa dica à margem da quadra mas não menos deliciosa. Ainda sem data marcada, mas já confirmada, há mais uma edição da Mostra de Doçaria de Alcáçovas no horizonte. Depois de uma 24.ª edição que “excedeu todas as expectativas”, a autarquia organizadora, de Viana do Alentejo, promete voltar a dar a provar sabores locais como o bolo conde de Alcáçovas, o bolo real, as sardinhas albardadas ou os amores de Viana, a par de receitas conventuais e palacianas de todo o país, chás e licores. A festa não costuma limitar-se ao palato: expande-se a demonstrações culinárias, ateliês, passeios, cante e outras animações.
Sardinhas albardadas
DR