Janeiro de 2026 deverá ser marcado, em Portugal continental, por um padrão atmosférico mais seco do que o registado nos últimos meses de 2025 e, em alguns momentos, mais seco do que a média climatológica. A chuva não desaparecerá, mas tenderá a distribuir-se de forma mais espaçada, alternando com períodos prolongados de tempo estável e dias soalheiros. Em contrapartida, o frio poderá assumir um papel de destaque, com entradas polares significativas, desde logo na primeira semana do mês.
De acordo com o Luso Meteo, site especializado em meteorologia, esta configuração resulta de um posicionamento inicial do anticiclone em latitudes elevadas, favorecendo um bloqueio atmosférico e a circulação de ventos de leste após a passagem da depressão Francis.
Ao longo do mês, o padrão deverá evoluir gradualmente para um cenário mais compatível com uma fase positiva da Oscilação do Atlântico Norte, com o anticiclone a consolidar-se a oeste, no Atlântico, e, mais tarde, a estender-se à Europa Ocidental.
Um mês dividido em fases bem distintas
Segundo a análise da mesma fonte, janeiro poderá dividir-se em três grandes fases, com a possibilidade de uma quarta mudança perto do final do mês, ainda envolta em incerteza.
A primeira fase deverá ocorrer entre os dias 1 e 8 ou 9 de janeiro. Os primeiros dias do ano ainda poderão ser influenciados pelos últimos efeitos da depressão Francis, com alguns aguaceiros e vento, mas rapidamente dará lugar a uma entrada de ar polar.
Entre os dias 5 e 8, as temperaturas mínimas poderão descer para valores muito baixos, em especial no interior, com registos que poderão aproximar-se dos menos cinco a menos oito graus em zonas mais expostas. Apesar do tempo maioritariamente seco, não se exclui a possibilidade de queda de neve em locais menos habituais, caso surja precipitação.
Variabilidade a meio do mês
A segunda fase deverá estender-se sensivelmente entre os dias 8 ou 9 e 14 ou 16 de janeiro. Durante este período, o anticiclone tenderá a posicionar-se mais a oeste, tornando-se móvel. O tempo será variável, com alternância entre dias frios e estáveis e outros com alguma nebulosidade e precipitação ocasional.
Segundo a mesma fonte, as temperaturas deverão manter-se ligeiramente abaixo da média para a época, com inversões térmicas frequentes, nevoeiros matinais e algumas tardes relativamente amenas quando o sol conseguir impor-se. Caso ocorram episódios de chuva, estes tenderão a suavizar temporariamente o frio, remetendo a neve sobretudo para as serras mais elevadas.
A partir da segunda metade do mês, o cenário mais provável aponta para um domínio mais consistente do anticiclone, sobretudo durante a terceira semana de janeiro. O tempo deverá ser maioritariamente estável, com noites frias, formação de nevoeiros em vales e dias secos e soalheiros.
De acordo com a publicação, a probabilidade de precipitação nesta fase é reduzida, especialmente no sul do país, embora o norte possa ainda registar alguns episódios residuais. Ainda assim, mesmo num contexto mais estável, não está afastada a possibilidade de novas entradas de ar polar, capazes de provocar descidas bruscas da temperatura em curtos períodos.
Como poderá terminar o mês
Para a última semana de janeiro, o cenário permanece em aberto. Os modelos apontam para uma probabilidade equilibrada entre a manutenção do padrão seco e estável ou uma mudança mais significativa do regime atmosférico. Esta evolução dependerá, em grande medida, da interação entre a estratosfera e a troposfera e de uma eventual perturbação do vórtice polar a meio do mês.
No balanço final, janeiro de 2026 deverá terminar com temperaturas médias próximas do normal, mas com variações acentuadas e episódios de frio intenso. Em termos de precipitação, tudo indica que ficará abaixo da média ou, no máximo, dentro de valores considerados normais, afastando um cenário de mês persistentemente chuvoso.
Nos Açores, o comportamento atmosférico deverá ser mais irregular. Segundo o Luso Meteo, a alternância entre períodos mais secos e outros mais chuvosos deverá manter-se, em linha com o observado em dezembro. Se o anticiclone se posicionar a oeste das ilhas durante a segunda quinzena, poderá haver um aumento da precipitação, por vezes forte e persistente.
As temperaturas poderão situar-se dentro ou ligeiramente acima da média, sobretudo se se confirmar um fluxo de sudoeste mais húmido e temperado, embora este cenário apresente elevada incerteza nesta fase.
Para o arquipélago da Madeira, a tendência aponta para precipitação abaixo da média e temperaturas geralmente acima do normal. De acordo com a publicação, a presença de pressões altas próximas do arquipélago deverá manter o tempo relativamente estável, ainda que com períodos mais ventosos, sobretudo nos primeiros dias do mês.
As depressões atlânticas não deverão conseguir aproximar-se de forma eficaz, o que reduz a probabilidade de episódios prolongados de chuva. Ainda assim, a recomendação passa por acompanhar as previsões de curto prazo, mais fiáveis, à medida que o mês avança.