As livrarias portuguesas voltam a estar no centro de uma política pública que quer chegar aos jovens pelo gesto simples, e cada vez mais raro, de escolher um livro. O Governo anunciou o arranque da segunda edição do cheque-livro, uma medida que permite aos jovens nascidos em 2007 ou 2008 levantar, a partir de hoje, um voucher no valor de 30 euros para a compra de livros em livrarias aderentes. As candidaturas das livrarias já estão abertas.
A iniciativa, promovida pelo Ministério da Cultura, prolonga-se até 30 de junho de 2026 e apresenta-se como um ajuste fino a uma ideia que quer ser mais do que um apoio pontual: um incentivo à criação de hábitos. “Se nasceste em 2007 ou 2008, começa já a escolher as tuas próximas leituras”, lê-se na comunicação oficial, numa tentativa clara de falar diretamente com quem está a entrar na idade adulta – e a decidir quem quer ser.
O regulamento publicado em “Diário da República” sublinha essa ambição: promover a leitura, respeitar a escolha livre, apoiar a diversidade editorial e alargar o alcance territorial da medida. Há também correções práticas. O valor do cheque sobe de 20 para 30 euros e deixa de existir a regra que impedia a utilização do voucher na compra de livros de valor inferior. Um detalhe técnico, talvez, mas que dizia muito sobre a distância entre a política e a experiência real de quem entra numa livraria.
Aprendizagens feitas
A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, reconheceu que esta edição incorpora aprendizagens da anterior, procurando uma aplicação mais eficaz dos recursos públicos e uma resposta mais ajustada às comunidades educativas e culturais. Ler, sublinha o diploma, continua a ser um gesto fundador: é na infância e na juventude que se constroem disposições duradouras para o pensamento crítico, o conhecimento e a participação cultural.
Fica, para já, fora desta edição a extensão do cheque aos e-books, apesar de uma proposta aprovada no Parlamento prever a criação futura de um cheque digital. A ministra admitiu dificuldades técnicas e ambiguidades legais, remetendo o debate para mais tarde. Por agora, avança o essencial: o livro físico.