O novo mayor de Nova Iorque já tomou posse assim que bateram as doze badaladas. Zohran Mamdani prestou juramento perante a procuradora-geral Letitia James, mas organizou uma cerimónia na tarde desta quinta-feira acompanhado dos seus aliados políticos, como a congressista Alexandria Ocasio-Cortez ou Bernie Sanders. Foi este senador do Vermont que, aliás, deu simbolicamente posse ao novo líder nova-iorquino. Zohran Mamdani usou também uma cópia do Corão segurado pela sua mulher, Rama Duwaji.

Esta foi a primeira vez que um mayor de Nova Iorque tomou posse com um Corão, sendo que Zohran Mamdani é o primeiro líder assumidamente muçulmano a governar a cidade norte-americana. No discurso que fez perante milhares de pessoas em Manhattan, o democrata de 34 anos deu várias pistas sobre o estilo de governação que vai seguir e deixou uma garantia sobre a sua ideologia: “Fui eleito como socialista democrático e vou governar como socialista democrático”.  

“Vamos responder a todos os nova-iorquinos e não a um bilionário ou oligarca que pensa que pode comprar a nossa democracia”, prometeu Zohran Mamdani, que assegurou que “não vai abandonar os princípios por medo de ser um louco radical”. Numa mensagem mais global para a esquerda, o mayor de Nova Iorque frisou que o que alcançarão no futuro “vai ressoar muito além”: “Há muitos a ver. Querem saber como é que a esquerda pode governar”.

Zohran Mamdani destacou que Nova Iorque pode ser um “exemplo para o mundo”: “Se o que [Frank] Sinatra disse é verdade, vamos provar que qualquer pessoa pode vencer em Nova Iorque — e em qualquer lugar também”. “As promessas que levaram o nosso movimento à vitória levar-nos-ão dos comícios até às realidades de uma nova era da política.”

Perante a multidão, o novo mayor afirmou que vai governar de forma “expansiva e audaciosa”: “Podemos nem sempre ter sucesso. Mas nunca vamos ser acusados de não ter a coragem de tentar”. “Aqueles que insistem que a era do grande governo está a acabar, ouçam-me: nunca hesitaremos em usar o poder para aumentar a qualidade de vida dos nova-iorquinos”.

“Esta não será a história de uma única cidade, governada apenas pelos  1%. Nem será a história de duas cidades, dos ricos contra pobres. Será a história de oito milhões e meio de cidades, cada uma delas um nova-iorquino com esperanças e medos, cada uma com um universo, todas interligadas”, assinalou Zohran Mamdani, prometendo: “Vamos substituir a frieza do individualismo pelo calor do coletivismo”.