A remuneração efetiva de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, é cerca de 50% superior ao valor oficialmente divulgado pela instituição, revela o Financial Times. Ao salário base anual, de cerca de 416 mil euros, acrescem subsídios e benefícios associados ao cargo que elevam o rendimento total para perto de 770 mil euros, componentes que não surgem de forma explícita na comunicação pública do BCE.
Segundo a análise do jornal, quando estes valores globais são considerados, Lagarde aufere um rendimento muito superior ao do presidente da Reserva Federal norte-americana, Jerome Powell, cujo salário anual ronda os 190 mil dólares, o que coloca a remuneração da presidente do BCE em quase quatro vezes a do seu homólogo norte-americano.
O Financial Times enquadra a revelação sobretudo no plano da transparência e da comparabilidade institucional. De acordo com o jornal, a diferença não resulta de aumentos recentes, mas da estrutura remuneratória do BCE, que inclui subsídios e componentes adicionais que não são imediatamente visíveis nos números oficiais. É essa discrepância entre o valor divulgado e o rendimento efetivo que, segundo o FT, levanta questões de clareza na informação pública, mais do que sobre a legitimidade do montante pago.