Mudanças na rotina e flexibilização de hábitos podem representar riscos adicionais (Foto: Freepik)
Com cerca de 400 mil mortes por ano no Brasil, as doenças cardiovasculares seguem entre os principais desafios de saúde pública, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Em períodos de férias, apesar do descanso e do lazer, as mudanças na rotina e a flexibilização de hábitos podem representar riscos adicionais à saúde do coração – especialmente para pessoas com hipertensão, colesterol alto, diabetes ou histórico familiar.
Alimentação desregrada, consumo excessivo de álcool, interrupção de medicamentos e noites mal dormidas são comportamentos comuns nessa época e que, muitas vezes, passam despercebidos. No entanto, o impacto dessas mudanças pode ser significativo.
A professora de Cardiologia da Afya Brasília, Dra. Rosângeles Konrad, explica que alterações bruscas na rotina exigem maior adaptação do sistema cardiovascular. “Horários irregulares, alimentação diferente, calor intenso, noites mal dormidas e até exercícios fora do habitual fazem o corpo trabalhar mais para se ajustar — e nem sempre esse esforço é percebido”, alerta.
Para quem já convive com doenças cardíacas ou fatores de risco, esse processo se torna ainda mais delicado. Viagens longas, desidratação, excesso de álcool e o abandono de medicamentos podem sobrecarregar o organismo e aumentar o risco de descompensações. “A combinação entre rotina alterada e comportamentos aparentemente inofensivos pode, sim, elevar o risco cardiovascular durante as férias”, afirma a cardiologista.
Erros comuns que afetam a saúde do coração nas férias
1. Abandonar o uso de medicamentos
Um dos erros mais frequentes é “dar férias” também aos remédios. Segundo a especialista, muitas pessoas esquecem ou reduzem doses por conta da mudança na rotina, o que pode descompensar quadros de hipertensão e arritmias. Medicamentos como anti-hipertensivos, estatinas, anticoagulantes e antidiabéticos não devem ser interrompidos sem orientação médica.
2. Exagerar no álcool e na alimentação gordurosa
Confraternizações costumam vir acompanhadas de excessos. O consumo elevado de sal, gorduras e álcool aumenta a pressão arterial, acelera os batimentos cardíacos e favorece arritmias, como a fibrilação atrial. Além disso, pode causar retenção de líquidos e piorar quadros de insuficiência cardíaca. “O problema não é consumir, mas consumir sem limite”, destaca a médica.
3. Ignorar sinais de cansaço durante atividades físicas
Nas férias, muitas pessoas tentam compensar o sedentarismo com caminhadas longas, trilhas ou esportes aquáticos. O esforço súbito, principalmente sob calor intenso, pode elevar demais a frequência cardíaca e a pressão arterial, aumentando a demanda de oxigênio do coração. Isso pode causar falta de ar, arritmias e até dor no peito. Respeitar os limites do corpo é essencial.
4. Desidratação em dias quentes
Altas temperaturas, suor excessivo, baixo consumo de água e ingestão de álcool favorecem a desidratação, reduzindo o volume de sangue em circulação. Esse desequilíbrio pode causar tontura, palpitações, instabilidade da pressão arterial e, em casos mais graves, desmaios ou agravamento de doenças cardiovasculares. “Hidratar-se é tão importante quanto usar protetor solar”, reforça a especialista.
5. Dormir mal e fora de horários regulares
Sono irregular ou insuficiente eleva os níveis de estresse, aumenta cortisol e adrenalina e compromete o controle da pressão arterial. A falta de descanso adequado reduz a capacidade do corpo de lidar com esforços físicos e emocionais, representando risco maior para quem tem hipertensão ou arritmias.
6. Estresse durante viagens e deslocamentos
Aeroportos lotados, atrasos, longas viagens de carro e a correria para organizar malas e compromissos ativam o sistema nervoso simpático, responsável pelas respostas de alerta do organismo. Como consequência, a pressão arterial sobe e o coração acelera. “Mesmo nas férias, o estresse pode ter impacto direto sobre o coração”, alerta a cardiologista.
