Uma empresa prepara-se para abrir a primeira central de dessalinização submarina à escala comercial do mundo, uma abordagem que poderá reduzir significativamente os custos e a energia necessários para tornar a água do mar potável.

Transformar água do mar em água potável continua a ser caro e exigente em energia

Transformar água do mar em água potável é um processo tão caro e intensivo em energia que se torna inviável na maioria das regiões do mundo. No entanto, uma empresa norueguesa está a testar uma nova abordagem que poderá mudar esse cenário.

A Flocean, uma empresa norueguesa, vai lançar, em 2026, a primeira central de dessalinização submarina à escala comercial do mundo e garante que o seu sistema reduzirá drasticamente os custos e o consumo energético do processo.

A procura global de água está a aumentar

A procura global de água continua a crescer, impulsionada pelo aumento da população, pelas alterações climáticas e por utilizações industriais como centros de dados e fabrico.

Em paralelo, a água doce está a tornar-se cada vez mais escassa devido a secas, desflorestação e irrigação excessiva.

A dessalinização terrestre ainda tem um peso limitado

Atualmente, a dessalinização em terra produz cerca de 1% do fornecimento mundial de água doce, com mais de 300 milhões de pessoas a dependerem desta fonte para as suas necessidades diárias de água.

As maiores centrais estão localizadas no Médio Oriente, onde a energia mais barata torna a tecnologia mais viável e a escassez de água a torna mais necessária.

A osmose inversa domina a tecnologia atual

A principal tecnologia de dessalinização utilizada hoje é a osmose inversa. Este método bombeia água do mar através de uma membrana com orifícios microscópicos que apenas permitem a passagem das moléculas de água, enquanto o sal e outras impurezas são filtrados.

A água tem de ser pressurizada para atravessar os filtros, um processo que exige enormes quantidades de energia.

A solução da Flocean passa pelo fundo do mar

A abordagem da Flocean consiste em submergir módulos de filtragem de água a grande profundidade no oceano, separar a água do mar do sal nessas condições e, depois, bombear a água doce de volta para terra.

Ao colocar os módulos de osmose inversa em profundidade, a tecnologia tira partido da pressão hidrostática, o peso de toda a coluna de água acima, para forçar a água do mar a atravessar as membranas de filtragem.