A Starlink, divisão da SpaceX, deu início a um ambicioso processo de reconfiguração da sua mega constelação de satélites. A iniciativa tem como principal objetivo aumentar a segurança das operações espaciais e mitigar os riscos de colisões em órbita.

Manobra estratégica da Starlink para um espaço mais seguro

Michael Nicolls, Vice-Presidente de Engenharia da Starlink, anunciou através da rede social X que a empresa está a proceder a uma “significativa reconfiguração da sua constelação de satélites”. Esta operação consiste em baixar a altitude orbital de aproximadamente 4400 satélites. Os equipamentos, que atualmente operam a cerca de 550 quilómetros de altitude, serão reposicionados para uma órbita mais baixa, a rondar os 480 quilómetros.

A decisão visa colocar os satélites numa região orbital menos congestionada, o que diminui drasticamente a probabilidade de colisões com outros objetos espaciais. Adicionalmente, operar a uma altitude inferior permite que, em caso de falha ou anomalia, o satélite seja atraído pela gravidade terrestre e se desintegre na atmosfera de forma muito mais rápida, reduzindo o tempo em que representa um perigo como lixo espacial.

Nicolls explicou que esta medida proativa está também relacionada com o ciclo solar de 11 anos. A aproximação do próximo “mínimo solar”, previsto para o início da década de 2030, foi um fator crucial na decisão. Durante este período, a atividade solar diminui, o que resulta numa menor densidade da atmosfera terrestre a grandes altitudes.

Com uma atmosfera menos densa, o tempo de decaimento balístico (o tempo que um satélite leva a cair naturalmente e a queimar na reentrada) aumenta significativamente. Ao baixar a órbita, a Starlink garante uma redução superior a 80% neste tempo de decaimento durante o mínimo solar, passando de mais de quatro anos para apenas alguns meses.

A redução da altitude resulta na condensação das órbitas da Starlink e irá aumentar a segurança espacial de várias formas.

Afirmou Nicolls.

Contexto recente e riscos não coordenados

Este anúncio surge num momento oportuno. Há poucas semanas, a Starlink admitiu que um dos seus satélites sofreu uma anomalia que gerou alguns detritos e o deixou fora de controlo.

Poucos dias antes, o mesmo Michael Nicolls tinha alertado para uma “quase colisão” com um lote de satélites chineses, que terão sido lançados sem uma coordenação adequada com outros operadores orbitais.

Com esta alteração, a Starlink pretende proteger ainda mais a sua constelação contra “riscos difíceis de controlar, como manobras e lançamentos não coordenados por parte de outros operadores de satélites”.

A medida posiciona a empresa como um ator mais responsável num ambiente espacial cada vez mais concorrido.

 

Leia também: