Os cidadãos dos Estados Unidos deixaram de poder entrar em Mali e no Burkina Faso, depois de ambos os países africanos terem anunciado, a 30 de dezembro, medidas de retaliação à decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de proibir a entrada de cidadãos malianos e burquinabês nos Estados Unidos. As proibições impostas por Bamaco e Ouagadougou produzem efeitos imediatos.

Num comunicado oficial, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Mali afirmou que “o Governo da República do Mali aplicará aos cidadãos norte-americanos as mesmas condições e exigências impostas aos cidadãos malianos”, sublinhando que a medida entra em vigor “com efeitos imediatos”. No mesmo sentido, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Burkina Faso, Karamoko Jean-Marie Traoré, confirmou que o país passará a aplicar “medidas de visto equivalentes aos cidadãos dos Estados Unidos da América”.

A decisão surge na sequência do anúncio feito pela administração Trump, a 16 de dezembro, de um alargamento da lista de países cujos cidadãos estão proibidos de viajar para ou entrar nos Estados Unidos. Entre os países abrangidos por uma proibição total passaram a constar Mali e Burkina Faso, juntamente com Níger, Sudão do Sul e Síria. O Laos e a Serra Leoa, que já tinham restrições, passaram também a estar sujeitos a uma proibição completa.

A Casa Branca justificou o alargamento das restrições afirmando que Donald Trump assinou uma proclamação que “expande e reforça as restrições de entrada a cidadãos de países com deficiências persistentes e graves nos sistemas de triagem, verificação e partilha de informação, para proteger a nação de ameaças à segurança nacional e à segurança pública”. Segundo a administração norte-americana, as medidas visam cumprir objectivos de política externa, segurança nacional e combate ao terrorismo.

No seu comunicado, o Governo do Mali criticou a decisão de Washington, alegando que a proibição foi tomada sem qualquer consulta prévia e que a justificação apresentada pela Casa Branca não corresponde a “desenvolvimentos reais no terreno”. A posição foi divulgada após a inclusão do país na lista de Estados sujeitos a restrições totais de entrada nos Estados Unidos.

Mali, Burkina Faso e Níger são atualmente governados por juntas militares que chegaram ao poder através de golpes de Estado e que formaram uma aliança regional. Estes países enfrentam uma crescente instabilidade de segurança, com a expansão de grupos armados, incluindo a Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), afiliada da Al-Qaeda, responsável por ataques em várias zonas da região.

Entretanto, foi noticiado que o Níger poderá também ter imposto uma proibição semelhante à entrada de cidadãos norte-americanos, segundo informações avançadas pela agência estatal de notícias do país, citando uma fonte diplomática. No entanto, até ao momento, não foi divulgado qualquer comunicado oficial que confirme formalmente essa decisão.

As novas restrições impostas pelos Estados Unidos entraram em vigor a 1 de janeiro de 2026. Já as proibições decretadas por Mali e Burkina Faso aplicam-se de forma imediata, aprofundando um clima de tensão diplomática e limitando significativamente a mobilidade entre estes países e os Estados Unidos.