A Tesla anunciou nesta sexta-feira uma queda nas entregas de viaturas no quarto trimestre maior do que o esperado pelos analistas, registando o segundo declínio consecutivo nas vendas anuais, reflexo da competição crescente de concorrentes chineses como a BYD, agora líder mundial na mobilidade eléctrica, mas também dos problemas resultantes da associação da marca norte-americana à actividade política de Elon Musk, e ainda da retirada de incentivos fiscais à compra de veículos eléctricos nos EUA.

Os números suscitam dúvidas sobre a sustentabilidade do negócio de automóveis da Tesla após dois anos consecutivos de quedas nas vendas, numa altura em que a empresa se volta para projectos na área da robótica e da condução autónoma para justificar a sua elevada cotação em bolsa.

A Tesla indica que entregou 418.227 veículos no último trimestre de 2025, uma queda homóloga de 15,6%, fechando o ano com 1,64 milhões de unidades vendidas, em comparação com 1,79 milhões em 2024. Tanto os números trimestrais como os anuais estão abaixo do esperado pelos analistas.

A BYD, por seu turno, informou que as suas vendas fora da China atingiram um recorde de 1 milhão de veículos em 2025, um aumento de cerca de 150% em relação a 2024, subindo as vendas globais totais em 27,9% para 2,26 milhões de unidades. A marca ultrapassou a Tesla pela primeira vez em 2025, beneficiando do rápido crescimento na Europa, onde a fabricante de automóveis chinesa tem vindo a alargar a sua liderança sobre a rival norte-americana.


As acções da Tesla estavam ao início da sessão bolsista em Nova Iorque desta sexta-feira em ligeira queda. A quebra nas vendas no quarto trimestre aconteceu depois uma subida no trimestre anterior, então impulsionada por uma corrida à compra de veículos Tesla a tempo de ainda garantir os benefícios fiscais concedidos nos EUA para veículos eléctricos, que acabaram por expirar em Setembro. A procura por este tipo de veículos abrandou nos EUA desde então.

Em Outubro, a Tesla lançou versões de custo reduzido dos seus modelos Y e 3, com preços cerca de 5 mil dólares abaixo dos modelos base anteriores, para tentar fomentar a procura e colmatar as perdas causadas pelo fim dos benefícios fiscais nos EUA.

Os analistas apontam que a marca norte-americana esteve em 2025 sob pressão acrescida tanto na América do Norte como na Europa, também devido à associação pública de Musk à Administração Trump e a movimentos de extrema-direita. Ainda assim, as acções da Tesla subiram cerca de 11,4% ao longo de 2025.