Este retorno da Berkshire Hathaway, desde 1965, mais do que superou o índice bolsista de referência mundial o norte-americano S&P 500, que para o mesmo período temporal conseguiu um retorno de cerca de 46.000%. Warren Buffett deixa a organização como a 11ª empresa mais valiosa do mundo, entre as cotadas em bolsa, com uma avaliação de um trilião de dólares.

FILE PHOTO: Warren Buffett, chairman and CEO of Berkshire Hathaway, takes his seat to speak at the Fortune’s Most Powerful Women’s Summit in Washington October 13, 2015. REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo

Warren Buffett, conhecido como o oráculo de Omaha, deixou a liderança da Berkshire Hathaway a 1 de janeiro de 2026 para dar lugar a Greg Abel no posto de CEO. Ao comando dos destinos da empresa, desde 1965, conseguiu um retorno para os seus investidores de 6.100.000%, de acordo com os dados recolhidos pela agência noticiosa Reuters.

Sim leu bem. Foram 6.100.000% de retorno em 60 anos. Este valor mais do que superou o índice bolsista de referência, ao nível mundial, o norte-americano S&P 500, que para o mesmo período temporal conseguiu um retorno de cerca de 46.000%.

Na despedida, Warren Buffett deixa a Berkshire Hathaway como a 11ª empresa mais valiosa do mundo, entre as cotadas em bolsa, com uma avaliação de um trilião de dólares (na denominação norte-americana), o que equivale a 850 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual (na denominação europeia). À frente da empresa ficam a Nvidia, a Apple, a Alphabet (proprietária da Google), a Microsoft, a Amazon, a Meta, a Broadcom, a TSMC, a Saudi Aramco, e a Tesla.

Do têxtil a uma das maiores empresas do mundo

A Berkshire Hathaway era inicialmente uma empresa que operava no setor têxtil. Com a chegada de Warren Buffett tudo mudou levando a que a organização se transformasse numa das maiores do mundo. Em 2024, foi mesmo a primeira cotada, não tecnológica, nos Estados Unidos, a ultrapassar um valor, entre as cotadas em bolsa, de um trilião de dólares (na denominação norte-americana ou um bilião de euros na denominação europeia).

Atualmente a organização pode ser dividida em duas grandes áreas. Uma delas está ligada ao seu portfólio de investimentos onde investe em empresas cotadas em bolsa tais como: Apple, Coca-Cola, American Express, Bank of America, e Chevron.

A outra área prende-se com as participações que possui em empresas do ramo segurador como por exemplo a Geico. Neste segmento destacam-se ainda as participações em outras áreas tais como a dos transportes, através da BNSF Raiway (ferrovia). Neste lote inclui-se ainda as participações em empresas tais como a Duracell, Dairy Queen.

Apesar de Warren Buffett ter deixado de ser CEO da empresa desde 1 de janeiro de 2026, vai continuar ligado à Berkshire Hathaway como chairman.

Quem é Greg Abel?

Vem do Canadá, tem 63 anos, e possui formação na área da contabilidade. Ao nível académico formou-se em 1984 pela Universidade de Alberta. Assim se pode descrever, em traços simples, Greg Abel o sucessor de Warren Buffett na liderança da Berkshire Hathaway. Antes de assumir a liderança da organização Greg Abel era chairman e CEO da Berkshire Hathaway Energy e vice-chairman das operações não ligadas ao setor dos seguros.

Greg Abel iniciou a sua atividade profissional na PricewaterhouseCoopers, em Edmonton. Em 1992 juntou-se à CalEnergy. Em 1998, a CalEnery adquiriu a MidAmerican Energy Holdings (que depois foi renomeada Berkshire Energy em 2014), levando a que Greg Abel chega-se a presidente da organização.

Em 2000 [ano em que Greg Abel se junta à Berkshire Hathaway] a Energy Holdings é adquirida por um grupo de investidores, onde se incluiu a Berkshire Hathaway e também Greg Abel, num negócio que levou a que a empresa deixa-se de estar cotada em bolsa, descreve a CNN.

Em 2018 juntou-se ao board de diretores da Berkshire Hathaway onde passou a liderar as operações não ligadas ao setor segurador, que eram detidas pela organização.

Numa entrevista à CNBC, transcrita pela CNN, Greg Abel foi descrito por Charlie Munger, visto como o braço direito de Warren Buffett na Berkshire Hayhaway, e que faleceu em 2023, como sendo “sensacional” como um líder de negócios, quer ao nível do conhecimento como no saber fazer. “Ele é um ser humano impressionante e a Berkshire Hathaway tem muita sorte em tê-lo”, disse Charlie Munger, que também descreveu Greg como sendo “uma tremenda máquina de aprendizagem” e que ele era “tão bom como Warren Buffett em aprender todo o tipo de coisas”.

Os elogios vêm também do CEO da Apple, Tim Cook, que na rede social X, considerou que “Warren Buffett deixa a Berkshire Hathaway em boas mãos com Greg Abel”.

E também não faltaram os elogios do próprio Warren Buffett. “Não consigo pensar em nenhum CEO, consultor de gestão, académico, membro do governo — enfim, em nenhum outro cargo — que eu escolheria em vez do Greg Abel para gerir as minhas e as suas poupanças. É um ótimo gestor, um trabalhador incansável e um comunicador honesto. Desejo-lhe um longo percurso no cargo”, disse Warren Buffett sobre Greg Abel, salienta a Reuters.