As autoridades suíças afirmaram que o incêndio mortal num bar da estância de esqui de Crans-Montana, na Suíça, rapidamente se transformou num “flashover” – um fenómeno perigoso em que tudo numa sala entra em combustão quase simultaneamente.

O incêndio rapidamente transformou-se num “incêndio flashover” após ter sido provavelmente causado por fogos de artifício em garrafas de champanhe que ficaram muito perto do teto, afirmou Béatrice Pilloud, procuradora-geral do cantão de Valais, esta sexta-feira.

Um flashover ocorre quando gases quentes sobem até o teto e se espalham pelas paredes, de acordo com a Associação Nacional de Proteção contra Incêndios (NFPA) dos Estados Unidos. O calor então intensifica-se até que todos os itens combustíveis na sala atinjam seu ponto de ignição e peguem fogo.

As autoridades também discutiram o “backdraft” como outro fator potencial que contribuiu para a rápida propagação do incêndio. Um backdraft é uma explosão que ocorre quando o oxigénio é introduzido numa sala cheia de gases quentes, de acordo com a NFPA.

Com temperaturas que chegam a 540 graus Celsius, mesmo bombeiros com equipamento de proteção completo provavelmente não sobreviveriam, disse a NFPA.

Ondas de fumo

O consultor independente em incêndios Stephen MacKenzie disse à CNN esta sexta-feira que um flashover cria ondas de fumo que se espalham lateralmente pelo teto e começam a “pré-aquecer” tudo à sua frente.

À medida que o fogo se espalha, começa a procurar mais oxigénio, disse MacKenzie.

Se algo se abriu e entrou algum oxigénio – como uma porta a ser aberta enquanto as pessoas tentam escapar –, isso poderá ter criado um “efeito chaminé”, disse, o que acelerou o fluxo de fumo e gases combustíveis para cima.

“Temos uma camada de gás quente a formar-se, temos tem o calor a irradiar sobre nós. As pessoas começam a perceber: preciso de sair daqui”, referiu MacKenzie

O fogo também terá gerado uma mistura de gases combustíveis, disse MacKenzie, que terão começado a inflamar-se. “O fumo está realmente a arder”, afirmou.

Questionado sobre quanto tempo leva para um flashover se desenvolver, MacKenzie deu uma previsão sombria. “Segundos. Estamos a falar de segundos a minutos”.

Uma imagem partilhada nas redes sociais parece mostrar o que poderia ser o início do incêndio no Le Constellation, em Crans-Montana, na Suíça. Uma parte desta imagem foi desfocada pela CNN para proteger identidades (retirado das redes sociais)

“A maioria dos nossos pacientes parece ter sido vítima de um flashover, com ferimentos típicos desse fenómeno”, disse um porta-voz do Hospital Universitário de Genebra (HUG) à CNN, acrescentando que também poderia ter ocorrido um backdraft.

Robert Larribau, chefe dos serviços de emergência do HUG, disse que as pessoas afetadas por um flashover normalmente apresentam queimaduras graves “que afetam predominantemente áreas expostas do corpo, como rosto, pescoço e membros superiores”.

Por sua vez, as lesões causadas por explosões incluem normalmente “traumatismos graves, danos térmicos extensos e inalação letal de gases tóxicos”, afirmou num comunicado.

*Martin Goillandeau, Caitlin Danaher, Mitchell McCluskey e Lauren Chadwick contribuíram para este artigo