“Ninguém me vai mandar calar. Estou aqui, ganhei”, disse Gonen, de 25 anos, ao Canal 12, de Israel, numa entrevista dividida em duas partes, a segunda das quais foi transmitida na noite de quinta-feira.
Gonen descreveu “diferentes tipos de agressões sexuais sofridas em cativeiro, por quatro homens diferentes, com graus de gravidade variados”, sem nunca utilizar explicitamente a palavra “violação”, mas insinuando o sucedido.
A jovem, que foi libertada em janeiro de 2025 durante um cessar-fogo entre Israel e o Hamas, relatou como foi agredida por um dos guardas no quarto em que estava detida: “Comecei a chorar incontrolavelmente. Ele olhava para mim incessantemente e fazia sinal com o indicador na boca, dizendo ‘cuidado’. ‘Se não te acalmares, vou zangar-me.'”
Noutro dia, o guarda seguiu-a até à casa de banho. “E foi aí que fui agredida pela terceira vez. Durou quase meia hora”, contou. “Pensei: ‘Romi, Israel pensa que estás morta, quando na verdade vais ser a escrava sexual dele para sempre‘”, contou, recordando como se sentiu após uma agressão.
A jovem contou ainda que, noutra ocasião, o agressor, que estava sentado num sofá, olhou para ela e perguntou: “Romi, estás bem?”. “Na minha cabeça, pensava: ‘Filho da p…, como é que me podes perguntar isso?'”, afirmou. “Depois aproximou-se de mim, apontou a arma à minha têmpora e disse: ‘Se contares isto a alguém, eu mato-te.'”
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O movimento islamista palestiniano Hamas, que, juntamente com fações palestinianas aliadas, manteve reféns capturados durante o ataque sem precedentes de 7 de outubro de 2023 contra Israel, nunca admitiu as agressões. “Afirmamos que as alegações feitas pela reclusa são falsas”, disse à AFP Suhail al-Hindi, membro do gabinete político do Hamas, referindo-se a Romi Gonen.
A jovem israelita estava no festival de música Nova, em Reim, perto de Gaza, quando foi raptada. Das 251 pessoas raptadas nesse dia, os militantes entregaram todos os prisioneiros, vivos e mortos, com exceção do corpo de um polícia israelita.
No mês passado, a organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional acusou o Hamas e outros grupos armados palestinianos de crimes contra a humanidade, incluindo tortura, desaparecimento forçado, violação e “outras formas de violência sexual”.