O Sporting entrou em 2026 com um empate (1-1) em Barcelos, o segundo fora de portas, um tropeção mesmo a fechar a primeira volta da I Liga, desfecho insuficiente para ensaiar a aproximação, como pretendia, dao líder FC Porto.

Um golo de Carlos Eduardo, a três minutos dos 90, com o Sporting reduzido a dez unidades por expulsão directa de Gonçalo Inácio (79′), travou a passada do “leão”, anulando a vantagem conseguida pelo suspeito do costume, o colombiano Luis Suárez, que chegou aos 15 golos mesmo em cima do intervalo.

Privado dos extremos Quenda e Catamo, o Sporting perdeu Ricardo Mangas antes do jogo de Barcelos e, com isso, uma maior capacidade para dar largura ao jogo.

Trincão procurava preencher o corredor direito, mesmo percebendo que a equipa precisava da sua capacidade para descobrir zonas de penetração nas costas de Luis Suárez.

Rui Borges apostava em Ioannidis para reforçar a presença na área gilista, mas a equipa de César Peixoto mostrava, mesmo tendo ficado sem o atacante Pablo Felipe — que deverá ser oficializado como reforço do West Ham —, o porquê de estar instalada no quarto lugar.

Primeiro, posicionando-se num 4x4x2 quando era obrigada a defender, para atacar em 4x2x3x1, com Touré e Gustavo Varela (substituto de Pablo Felipe) a ganharem protagonismo e a forçarem o Sporting a manter a guarda alta para evitar surpresas.

Deste diálogo resultou um jogo de equilíbrios em que os “leões” não conseguiam criar reais oportunidades para marcar, perdendo, inclusive, nesse duelo, para os gilistas.

Os minhotos, à procura do primeiro triunfo desde o início de Novembro, acumulando cinco empates e uma derrota nos últimos dois meses, precisavam de um rasgo para ferir o adversário e elevar a pressão que ameaçava aumentar para níveis perigosos com o passar do tempo.

Mas a lesão de Facundo Cáseres e a entrada a frio de Zé Carlos para o meio-campo gilista criaram uma oportunidade que levou o Sporting a marcar mesmo em cima do intervalo.

Tudo num lance simples, com Eduardo Quaresma a descobrir, num passe longo (na primeira assistência para golo na Liga), o “matador” da equipa, que aproveitou a rara ocasião para bater Andrew e esvaziar o balão gilista com a 15.ª finalização certeira no campeonato, oitava em pouco mais de um mês.

O Sporting quebrava o gelo e regressava determinado a confirmar o oitavo triunfo em nove deslocações (só não vencera na Luz). Numa primeira abordagem, os bicampeões nacionais estiveram muito perto de cumprir o plano de Rui Borges.

Mas Luis Suárez não teve a mesma eficácia, perdendo a oportunidade para aumentar a diferença e propor uma segunda parte mais tranquila.

Até porque o Gil Vicente não aceitou a proposta, encontrando tempo e espaço para equilibrar e até virar a mesa. O empate esteve iminente ainda dentro dos primeiros dez minutos do segundo tempo, mas Rui Silva fechou completamente a baliza “leonina” com um par de intervenções em lances com selo de golo.

O Sporting percebia que se desse uma nesga ao adversário a factura poderia ser demasiado alta, pelo que o jogo acalmou, regressando a um registo mais repartido, mas sem a vertigem do recomeço.

Rui Borges preparava o terreno para poder garantir uma maior posse de bola, chamando Morita a jogo para o lugar de Simões, ao mesmo tempo que inoculava algum veneno por Alisson, mas a expulsão de Gonçalo Inácio à entrada dos últimos dez minutos de jogo baralhou os dados.

Do livre resultante da falta do central podia ter surgido, inclusive, o empate. Mas o remate de Murilo Souza, no 100.º jogo pelos gilistas, bateu na barreira e saiu por cima da barra, criando a ilusão de golo que deixou o Sporting a ferver.

Apesar disso, o Gil Vicente manteve o cerco e, num passe providencial de Luís Esteves, Carlos Eduardo empatou de cabeça, subtraindo dois pontos às contas do vice-líder, que poderá ficar mais longe do FC Porto e ver o Benfica aproximar-se.