Budanov, que irá completar 40 anos este domingo, diz ter sido alvo de mais de uma dezena de tentativas de assassinato por parte das forças especiais russas, algumas delas antes de 24 de fevereiro de 2022
O presidente ucraniano escolheu esta sexta-feira Kyrylo Budanov, até então líder das secretas militares ucranianas (HUR), para liderar o seu gabinete presidencial.
A nomeação de Budanov acontece mais de um mês depois de Andriy Yermak, antigo chefe do gabinete presidencial e amigo de Volodymyr Zelensky, se ter demitido após buscas do Gabinete Nacional Anti-corrupção (NABU) ao seu gabinete.
Nascido em Kiev em 1986, Budanov fez toda a sua carreira no HUR, onde entrou em 2007 após a conclusão da sua licenciatura na Academia Militar de Odessa.
Desde 2014 até à invasão em larga escala, em 2022, Budanov participou na guerra do Donbass, onde foi ferido em várias ocasiões, e também em operações secretas na Crimeia, península ocupada pela Rússia há cerca de 12 anos.
O agora líder do gabinete de Zelensky, que irá completar 40 anos este domingo, diz ter sido alvo de mais de uma dezena de tentativas de assassinato por parte das forças especiais russas, algumas delas antes da invasão a 24 de fevereiro de 2022.
Budanov foi promovido a líder do HUR em agosto de 2020. É apontado como o principal responsável por orquestrar ataques em solo russo contra refinarias, portos e altos comandantes militares.
Budanov já tinha um estatuto quase lendário no mundo da espionagem, mas desde que a Rússia lançou a sua “operação militar especial” que tem demonstrado aquilo de que a sua organização é capaz. Um membro do HUR (sigla pela qual os serviços secretos ucranianos são conhecidos) descreveu ao The Economist o seu superior como alguém “contido, comedido e que nunca entra em pânico”, com a capacidade fazer com que os outros façam tudo aquilo que ele pede. O brigadeiro-general Dmytro Timkov conhece Budanov há largos anos e participou em “dezenas de operações” com ele. Recorda um jovem militar que não tinha problemas em desafiar os seus superiores se achasse que estes estavam errados.
Após o ataque à ponte de Kerch de 8 de outubro de 2022, Moscovo emitiu um mandado de captura contra Budanov. É um dos principais alvos do Kremlin e isso enche-o de orgulho. “Estou satisfeito. Este é um bom indicador do nosso trabalho, e prometo trabalhar ainda melhor”, disse Budanov, citado pelo Ukrainska Pravda.
A perseguição russa estende-se até aos membros da sua família. Em novembro de 2023, a sua mulher, Marianna Budanova, foi hospitalizada após ter sido envenenada por metais pesados, provavelmente ingeridos durante uma refeição. Vários membros do HUR também apresentaram sintomas condizentes com envenenamento, mas não se sabe se Budanov foi um dos alvos.
O seu serviço valeu-lhe a distinção, concedida por Volodymyr Zelensky a 8 de fevereiro de 2024, de Herói da Ucrânia, a maior que o presidente ucraniano pode conceder.