Uma goleada frente ao AVS, outra goleada na sempre complicada deslocação a Guimarães, mais uma goleada na receção ao Rio Ave. Apesar do aumento do número de baixas, o Sporting foi conseguindo dar respostas a todas as questões que o final do ano de 2025 trazia, reagindo da melhor forma à má segunda parte no dérbi da Luz frente ao Benfica com resultados que, não reduzindo a diferença pontual para o líder FC Porto, foram aumentando a esperança dos leões em chegarem a mais uma temporada histórica em busca de uma inédita segunda dobradinha consecutiva na sua história. Agora seguia-se mais uma viagem de risco a Barcelos para defrontar o sensacional Gil Vicente com ano novo e vida velha para Rui Borges, que não revelou particular preocupação com o réveillon mas voltava a ter mais dores de cabeça para contornar a abrir 2026.

Gil Vicente-Sporting. Rui Borges mexe nas laterais, Mangas fica de fora por lesão

“Não pedi qualquer cuidado, os jogadores sabem da responsabilidade que têm. São jogadores profissionais, sabem muito bem o que podem ou não fazer. Não sou polícia nem sargento. Eles sabem que têm jogo, sabem da importância do jogo e demonstram a ambição de querer continuar a ganhar. Vem aí semanas bastante exigentes, vamos jogar de três em três dias só com uma semana normal. Tirando isso é de três em três dias até ao Dragão, será um mês e meio bastante exigente, com algumas baixas. Reforços? Preciso de recuperar os meus, já respondi. Se acrescentarmos alguma coisa ou alguém em alguma posição específica, será sempre numa perspetiva de futuro e não pelas ausências de agora. Não estou obcecado por isso nem muito preocupado com o mercado, estou preocupado com os meus”, apontara na antecâmara de um jogo onde continuaria sem contar com Pedro Gonçalves, Geovany Quenda, Nuno Santos, Diomande, Debast e Geny Catamo mas onde também não teria Ricardo Mangas e Blopa, as mais recentes baixas da equipa.

Já sobre o Gil Vicente, Rui Borges deixava rasgados elogios, passando ao lado do atual momento da equipa de Barcelos que não ganhava desde o início de novembro entre uma série com cinco empates e uma derrota e da ausência do avançado Pablo, a caminho do West Ham. “É uma equipa que está a fazer um Campeonato extraordinário, com uma boa primeira volta. Bateu o recorde pontual do clube, com uma equipa muito bem organizada, trabalhada e algumas dinâmicas que são relativamente identificáveis e conhecidas. São muito competitivos e intensos, principalmente em casa. Vão variando, em alguns jogos pressionam mais alto, noutros andam com um bloco médio à espera dos gatilhos de pressão. É uma equipa muito forte em termos físicos e equilibrada em todos os momentos do jogo. Será um jogo claramente difícil onde o Sporting tem algumas dificuldades. Mas é olhar para o que somos, para o que seremos capazes de fazer para ultrapassar um bom Gil Vicente”, destacara, antes de passar os elogios para o próprio Sporting e para o que a equipa faz também à luz da troca de avançados entre Viktor Gyökeres e Luis Suárez, com um hat-trick no último jogo.

“São diferentes, claramente diferentes. Dão coisas diferentes à equipa. O Viktor marcou a história do Sporting e do Campeonato português, vai continuar a marcar durante muito tempo, e acredito que o Luis também irá marcar à sua maneira no Sporting e a nível nacional. Sou um sortudo por poder ter trabalhado com os dois e com o Fotis, avançados que nos dão muitas coisas ao coletivo, às dinâmicas que queríamos implementar. A melhor equipa? Para mim é fácil responder a isso e já o disse várias vezes: a melhor será sempre a minha mas, atualmente, será o FC Porto, que vai em primeiro. Nunca tiro mérito a quem vai na frente. O ano passado diria que éramos nós porque estávamos em primeiro, este ano é o FC Porto. Nunca tiro mérito mas olho sempre para a minha equipa como a melhor”, assumira Rui Borges, sem colocar o Benfica de fora da corrida ao título antes de abordas os principais objetivos para o ano de 2026.

“Temos de fazer a nossa parte e esperar pelo desenrolar da época. Naquilo que são os nossos objetivos, o Sporting, como é lógico, quer ganhar todos os troféus onde está inserido, quer disputar as finais. Vamos fazer muito por isso. As taças, no Campeonato vamos lutar muito até final e depois tudo será consequência do nosso trabalho e capacidade. A dobradinha ou não é consequência do nosso trabalho. Não estou focado se são consecutivas, quero ganhar o próximo jogo. Vai ser muito jogo a jogo. Queremos muito o tricampeonato mas temos de trabalhar muito para conseguir isso”, reforçara nessa análise mais abrangente onde recordou não só Campeonato e Taça de Portugal mas também a Taça da Liga, com os leões a defrontarem na terça-feira o V. Guimarães em busca de mais uma decisão depois da derrota da época passada com o Benfica.

À semelhança do que aconteceu na época passada, o Gil Vicente voltou a ser um osso duro de roer mas, de novo com Eduardo Quaresma em destaque com um passe fantástico que estendeu a passadeira para Luis Suárez inaugurar o marcador, o Sporting ia gerindo a vantagem apesar do forcing dos minhotos até Andrew ter um pontapé longo de 70 metros para Gustavo Varela que “forçou” a expulsão com vermelho direto de Gonçalo Inácio por ser o último jogador. A partir daí tudo mudou, com César Peixoto a ter o mérito de dar outro sentido ao derradeiro ataque do seu exército com a entrada de um segundo avançado, Carlos Eduardo, e o brasileiro a estrear-se a marcar na Liga na antecâmara da saída do aniversariante Pablo. Depois, com muitos nervos e tensão à mistura, já não houve tempo para mais e foi o FC Porto que saiu a sorrir.

Ficha de jogo

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Gil Vicente-Sporting, 1-1

17.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Cidade de Barcelos

Árbitro: Gustavo Correia (AF Porto)

Gil Vicente: Andrew, Zé Carlos (Carlos Eduardo, 82′), Espigares, Elimbi, Hevertton (Mutombo, 82′); Caseres (Zé Carlos Ferreira, 32′), Santi García (Joelson Fernandes, 64′); Murilo, Luís Esteves, Touré (Martin Benítez, 64′) e Gustavo Varela

Suplentes não utilizados: Dani Figueira, Bamba, Sergio Lillo e Diogo Costa

Treinador: César Peixoto

Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Matheus Reis (Alisson, 77′); Hjulmand, João Simões (Morita, 77′); Francisco Trincão, Maxi Araújo, Ioannidis (Rômulo, 84′) e Luis Suárez

Suplentes não utilizados: João Virgínia, Vagiannidis, Kochorashvili, Rodrigo Ribeiro, Rodrigo Dias e Flávio Gonçalves

Treinador: Rui Borges

Golos: Luis Suárez (45′) e Carlos Eduardo (87′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Hjulmand (38′), Luis Suárez (49′), Zé Carlos Ferreira (49′), Marvin Elimbi (70′), Gustavo Varela (77′), Maxi Araújo (90+2′), Rômulo (90+5′) e Martin Benítez (90+5′); cartão vermelho direto a Gonçalo Inácio (79′)

A partida começou com as características que eram previstas na antecâmara, tendo um Sporting a tentar fazer a diferença no habitual ataque organizado com zonas de pressão mais altas sem bola e um Gil Vicente a tentar controlar ritmos e momentos do jogo em posse, variando os momentos de pressão mais alta ou baixa consoante aquilo que a equipa fosse precisando e conseguindo fazer. Entre essas ideias, os minutos foram passando sem qualquer remate ou oportunidade, num ritmo que ia favorecendo mais os minhotos perante a capacidade de controlar essa tentativa de domínio do Sporting. Assim, foi preciso esperar um quarto de hora pelos primeiros sinais de perigo que vieram em dose dupla, com Rui Silva a defender para canto um remate acrobático de Gustavo Varela na área na sequência de uma segunda bola (15′) e com Fotis Ioannidis a desviar de cabeça por cima em boa posição na área um cruzamento tenso de Iván Fresneda da direita (16′).

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