O Acidente Vascular Cerebral (AVC) permanece entre as principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo, com mais de 84 mil óbitos no País anualmente e um enorme impacto social e econômico. Dados da revista científica The Lancet Neurology mostram uma mudança preocupante no perfil da doença: a inciência em jovens adultos. Cerca de 18% dos casos de AVC no Brasil, segundo a Rede Brasil AVC, ocorrem em pessoas entre 18 e 45 anos, e a ocorrência nessa faixa etária cresceu aproximadamente 20% nos últimos cinco anos — reflexo de mudanças no estilo de vida e aumento de fatores de risco como obesidade, hipertensão e diabetes em adultos jovens.

Embora o AVC seja frequentemente associado à terceira idade, os números atuais revelam que jovens também estão vulneráveis, e a incapacidade ou morte nessa fase da vida é devastadora para as famílias. Nesse contexto, reconhecer imediatamente os sinais do AVC é tão crucial quanto prevenir a doença.

Para aproximar o conhecimento médico da população que desenvolvemos o método SALVE, uma ferramenta simples, objetiva e fácil de memorizar, pensada para que qualquer pessoa identifique rapidamente os principais sinais de um AVC. O nome é um acrônimo que reúne cinco sinais essenciais: Sorriso, Abraço, Linguagem, Visão e Equilíbrio.

No atendimento diário, é comum observar que os primeiros sinais — como fala embolada ou leve fraqueza em um braço — não são reconhecidos como emergência pelos familiares, atrasando o socorro. Em neurologia, tempo é cérebro: cada minuto sem tratamento resulta na perda irreversível de tecido cerebral e neurônios, diminuindo as chances de recuperação e aumentando sequelas.

O método SALVE propõe:

Sorriso – verificar se há desvio em um lado da boca;

Abraço – observar dificuldade em levantar os dois braços;

Linguagem – notar fala arrastada ou confusa;

Visão – identificar perda súbita da visão;

Equilíbrio – perceber tontura intensa ou dificuldade para caminhar.

Ao identificar um desses sinais, é fundamental chamar imediatamente o serviço de emergência. Quanto mais rápido o atendimento, maiores as chances de recuperação com poucas ou nenhuma sequela.

Além do reconhecimento rápido, a prevenção continua essencial: controlar pressão arterial, manter níveis saudáveis de glicose, praticar atividade física, evitar tabagismo e adotar uma alimentação equilibrada. No entanto, mesmo com prevenção, saber como agir diante dos primeiros sinais de AVC pode fazer a diferença entre viver com qualidade ou enfrentar sequelas severas.

Que em 2026 avancemos ainda mais na educação em saúde e na disseminação de métodos simples e eficazes como o SALVE. Informar é cuidar — e cuidar pode salvar vidas.

*Dr. Marcos Alexandre Carvalho Alves é neurologista no Hospital Mater Dei Goiânia