Portugal estará neste momento no pico da actividade gripal, de acordo com os dados do mais recente boletim de vigilância do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa), afirmou esta sexta-feira, 2 de Janeiro, o subdirector-geral da Saúde André Peralta Santos. A mortalidade por todas as causas continua com valores acima do esperado em Portugal.

Segundo o relatório relativo ao período entre 22 e 28 de Dezembro, foram detectados na última semana 1265 casos positivos para o vírus da gripe — número igual ao registado na semana anterior a esta.

Quase todos os novos casos de gripe foram identificados como sendo do tipo A (1263). Nos vírus subtipados, foi identificado o subtipo A(H3N2) em 118 casos e o A(H1N1)pdm09 em 88 casos.

“Os indicadores estão estáveis. O número de pessoas que vão às urgências, o número de internamentos que temos por causa da gripe está estável, o que quer dizer que estamos a assistir à formação do pico. Mas não sabemos se será este o único”, esclareceu André Peralta Santos, em entrevista à RTP Notícias, confirmando o pico de infecções que as autoridades de saúde já tinham previsto que poderia ocorrer nas semanas do Natal e Ano Novo.

O subdirector-geral da Saúde admite ainda a possibilidade de a actividade gripal voltar a aumentar no início de Janeiro, no período pós-festividades e com o regresso aos locais de emprego e a retoma das actividades escolares, podendo mesmo existir dois picos da gripe.

“É de esperar que se mantenha pressão sobre o sistema de saúde, isso implica a procura nos cuidados de saúde primários, nos centros de saúde e nos hospitais. Com o desenrolar de Janeiro, obviamente, esperamos que a situação melhore, porque a actividade gripal vai diminuindo, mas não quer dizer que já na próxima semana vejamos uma melhoria, porque há uma grande intensidade de vírus ainda em circulação”, explicou.

Na última semana, foram reportados 16 casos de gripe pelas 13 unidades de cuidados intensivos (UCI) que enviaram informação, sendo que, devido ao período festivo, houve menos hospitais a reportar dados, segundo alerta o INSA. A maioria dos doentes que precisaram de internamento em UCI por causa da gripe tem mais de 55 anos, mas todos têm doença crónica subjacente e todos tinham recomendação para vacinação contra a gripe sazonal. Dos 16 que ali foram internados, 13 não estavam vacinados.

Há também uma tendência crescente na incidência de internamentos por causa do vírus sincicial respiratório em crianças com menos de dois anos.

Além da vacinação, André Peralta Santos deixa “conselhos muito simples” para prevenir a infecção pelo vírus da gripe: “O uso de máscara para quem tem sintomas respiratórios; e, se possível, tentar manter o teletrabalho se tiver sintomas.”

No total, desde o início da época gripal, a 29 de Setembro, a Rede Portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico da Gripe e Outros Vírus Respiratórios já identificou 9620 casos de gripe e notificou 51.993 casos de infecção respiratória.

Em Portugal, há neste momento “excesso de mortalidade, porque estamos na fase epidémica de gripe”, afirma o subdirector-geral da Saúde. O boletim do Insa indica que a “mortalidade por todas as causas” atingiu “valores acima do esperado” no país, identificando-se excessos de mortalidade nas regiões Norte, Centro, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo, e nos grupos etários acima dos 65 anos.

A nível europeu, na semana entre 22 e 28 de Dezembro, a circulação do vírus da gripe continuou a aumentar, “com a maioria dos países a reportar agora uma actividade generalizada de intensidade baixa a muito alta e tendências crescentes”.

Quanto à circulação do vírus sincicial respiratório, estabilizou após semanas de aumento constante, mantendo-se em níveis abaixo do observado nas últimas épocas. O vírus da covid-19 “continua a circular, mas está a diminuir em todos os grupos etários”.